BC dá aval para Mercado Livre ser financeira

O Mercado Livre recebeu nesta segunda-feira, dia 9, a autorização do Banco Central (BC) para operar como uma instituição financeira, informa nota à imprensa distribuída pela companhia. A decisão já havia sido publicada no Diário Oficial, no último dia 15, mas só nesta segunda a autoridade monetária deu a confirmação.

O aval do BC abre espaço para o Mercado Livre consolidar sua atuação no segmento de crédito. Desde 2017 a empresa tem o Mercado Crédito, com empréstimos para quem tem conta no Mercado Pago, fintech de pagamentos do Mercado Livre.

O anúncio ocorre um mês e meio depois de o Mercado Livre ter anunciado que recebeu do Goldman Sachs um aporte de R$ 400 milhões, destinados à ampliação do serviço de crédito.

“A licença de instituição financeira permitirá reforçar o foco da companhia em expandir as operações de crédito dentro de seu ecossistema. Desde o início da oferta, em 2017, o grupo já concedeu mais de R$ 4 bilhões em créditos no Brasil, em um total de mais de 10 milhões de transações. Essas operações alcançaram principalmente consumidores e empreendedores sem acesso ao crédito no sistema financeiro tradicional”, explica, em nota, Tulio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago, que já opera como instituição de pagamento.

Mercado Livre mais que dobra e-commerce e pagamentos no 3º trimestre

A escalada dos negócios online a reboque da pandemia da Covid-19 levou o Mercado Livre a novos recordes operacionais no terceiro trimestre, com a companhia acelerando investimentos em logística para manter o ritmo para as vendas de final de ano.

O maior portal de comércio eletrônico da América Latina reportou na quarta-feira (4) que o volume de vendas (GMV) chegou a US$ 5,9 bilhões entre julho e setembro, avanço de 62,1% em dólar e 117,1% em moeda constante, com o total de usuários únicos ativos subindo 92,2%, a 76 milhões.

Além disso, o volume de pagamentos em seu braço financeiro Mercado Pago deu saltos de 91,7% em dólar e 161,2% em moeda constante, a US$ 14,5 bilhões.

Com isso, a receita líquida da companhia com sede na Argentina evoluiu 85% em dólar e 148,5% em moeda constante, atingindo o recorde de US$ 1,1 bilhão. A operação no Brasil, que representa 55% do total, alcançou 610,7 milhões, alta de 56,6% em dólar e de R$ 112,2%.

A companhia fechou o trimestre com lucro líquido de US$ 15 milhões, resultando em lucro líquido por ação de US$ 0,28, segundo o balanço. Analistas, em média, esperavam lucro de US$ 10,5 milhões para o Mercado Livre no período, ou US$ 0,17 por ação, segundo dados da Refinitiv.

Crescimento com a pandemia

O balanço foi divulgado alguns dias depois que a rival brasileira B2W, dona dos sites Submarino e Americanas, divulgou alta de 56,2% no GMV do trimestre sobre um ano antes, para R$ 7,26 bilhões.

Os números mostram como negócio por canais eletrônicos ganharam tração no Brasil e na América Latina mesmo após governos relaxarem medidas de isolamento social tomadas a partir de março para conter a pandemia, o que deixou milhares de estabelecimentos físicos fechados por meses.

“As boas experiências de comprar online estão agradando os consumidores”, disse à Reuters o presidente de área de comércio do Mercado Livre para a América Latina, Stelleo Tolda.

Segundo o executivo, a companhia espera manter o ritmo operacional neste quarto trimestre, dados as datas comerciais incluindo Black Friday e o Natal. Uma percepção melhor do ritmo do comércio eletrônico no Brasil deve vir no começo de 2021, disse Tolda, quando também devem acabar programas de auxílio emergencial.

De todo modo, o Mercado Livre faz planos de abrir novos grandes centros de logística no país no ano que vem, enquanto também trabalha para ampliar a base de vendedores em seu marketplace, incluindo segmentos de moda, supermercado e produção de conteúdo.



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