Guedes diz que ajuda chega a 5,8% do PIB, e que coronavírus foi um meteoro

O ministro Paulo Guedes, da Economia, disse neste sábado, 28.3.2020, durante mesa redonda promovida pela corretora XP, que os próximos 3 meses da pandemia do coronavirus, estimados como o pior momento da crise, vão contar com R$ 750 bilhões, ou 4,8% do PIB. “Fomos atingidos por um meteoro”, disse Guedes, que também anunciou a rolagem de dívidas dos municípios, a exemplo do feito com os Estados. “Vai ser um déficit primário extraordinário, mas não tem problema. Não vamos deixar os brasileiros para trás. Isso vai passar”. Garantiu ainda que esse gasto será pago em um ano – e que as despesas não serão deixadas para as futuras gerações. “No ano que vem estaremos de volta. Vamos chegar ao outro lado, vai dar tudo certo”. Mais de 60 mil pessoas acompanharam a apresentação. Um pouco antes, o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, também participou de live no mesmo canal.

“A economia já se entendeu com a saúde para saber quando tempo deve durar o lockdown… Nós sabemos quanto tempo a economia aguenta antes de começar a entrar em colapso. Nós sabemos que, se as linhas básicas de suprimentos em alimentos, transportes, produtos médicos, farmacêuticos, se essa linha for mantida, a gente até consegue esticar o período de quarentena, a gente não sabe quanto. Mas, evidentemente, o período que a economia aguenta possivelmente é menor do que a saúde exige”, afirmou. E acenou: os 4,8% do PIB podem ser 5,8%.

O ministro por diversas vezes pediu ao moderador Rafael Furlanetti, da XP, que queria fazer perguntas, para esperar mais um pouco, pois queria “concluir”. Sua fala durou 2 horas. Tempo que usou para amplo relato das demandas ocorridas nos últimos dias, e a forma como estão sendo tomadas as decisões. Guedes mostrou que está acompanhando todos os pedidos e sua execução, citando nomes de colaboradores envolvidos, características de equipamentos para combater o vírus, dificuldades, cenários e outros pormenores.

E explicou que há quatro prioridades: ventiladores pulmonares, máscaras, álcool gel e testes para coronavirus. “A capacidade de produção dos ventiladores é de 250 por semana e já conseguimos que seja de 1.000 por semana.Precisamos aumentar ainda mais, pois é preciso chegar a 1.400 por semana”. Sobre a comprovação da doença, afirmou que é preciso “escalabilizar” os testes, pois só a testagem em massa poderia abrir espaço para o isolamento vertical, estratégia pela qual apenas grupos específicos, como idosos ou pessoas com doenças que poderiam agravar o seu quadro de saúde, teriam de ficar isolados. Os demais estariam liberados para circular, trabalhar ou estudar. Como primeiros a voltar, citou os jovens.

Para o ministro da Economia, o fundamental é achatar a curva. Ou como ele prefere, “furar a onda”. E fez a síntese do quadro: “Isolamento social curto demais, é catástrofe de saúde pública; isolamento social longo demais, é catástrofe econômica”.

Maquininhas – Ao detalhar as medidas a serem tomadas, Guedes adiantou que o Banco Central vai comprar carteiras de créditos, “justamente para abrir janelas de liquidez e não deixar virar crise mais aguda”. “Tudo isso é discutido na base diária”, afirmou.  “Essas maquininhas estão girando. São microempresários. Os caras, às vezes, têm receitas de [R$] 200 mil, [R$] 150 mil e tem aí a PagSeguro, Stone. Por que o Banco Central não pode redescontar deles? O BC tem que redescontar só com banco? Não. Esses caras têm capilaridade, tão pequeninhos lá na ponta. A gente tem que conseguir que o BC chegue lá também. Que não fique só no sistema bancário”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que será “turbinado” o Fundo de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa para impulsionar os empresários que usam as chamadas  maquininhas de crédito.

O meteoro – O ministro da Economia disse que o Brasil foi atingido por um “meteoro”, ao comentar a tramitação das reformas estruturantes, como a tributária e o pacto federativo, já estavam acertadas com o Legislativo e a expectativa era de que o trimestre na economia fosse excepcional, “quando chegou o coronavírus”.

“Nós fomos atingidos por um meteoro. Isso que aconteceu é um meteoro. Mas nós sabemos sair da formação. Vamos combater o meteoro. E, no ano seguinte, estamos de volta para o trilho das reformas estruturantes de novo. Aliás, nesse ano mesmo. Vamos retomar as estruturantes este ano mesmo”, declarou.

Em outro momento, Guedes disse que se trata do “momento mais difícil da nossa história” e que “não sabemos da amplitude dessa bomba genética que cai sobre nós”, mas que o Brasil vai “saber fazer a coisa certa”.

Guedes descartou ainda deixar o governo em meio à crise. “Isso é conversa fiada [sobre a minha saída]. Esquece. Esquece. Esquece. Conversa fiada total. O presidente tem confiança no meu trabalho. Eu tenho confiança de que o presidente quer consertar essa parte econômica. Não existe isso de sair. Não tem esse negócio de sair. Como eu vou deixar o país no momento mais grave sabendo que eu tenho condições de ajudar? Estou 24h por dia dedicado a isso”, afirmou.



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