quarta-feira, 19/06/2024

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ESG nas organizações, tema do Núcleo Brasil-EUA em Miami

Na sexta-feira, 31 de maio de 2024, durante a segunda parte da quarta reunião do Núcleo Abralog Brasil- USA, o foco foi a evolução do ESG (Environmental, Social, and Governance) nas empresas, especialmente no setor de logística, nos dois países. O encontro foi moderado por Pedro Moreira, presidente da Abralog, e contou com depoimentos de líderes do setor, que compartilharam suas experiências e visões sobre as práticas de ESG.

Na primeira, Santiago Gomez de la Torre mostrou o projeto do Airglades International Airport, na Flórida, megaempreendimento que terá hub logístico estratégico para a conexão de cargas perecíveis entre América Latina, especialmente o Brasil, e os Estados Unidos.

Para Pedro Moreira, falta no Brasil política nacional de transição energética. “Mesmo na parte de renovação de frota, fala-se em buscar combustíveis verdes alternativos, mas não existe incentivo para renovação dessa frota, não há apoio para uma jornada de transição para essas energias alternativas.

No ano passado, contou o presidente, a Abralog criou o Conselho Estratégico de ESG para orientar os associados nessa jornada. “Temos grandes organizações com programas mundiais de ESG, mas nós temos diferentes níveis de associados. Assim, a ideia é criar um roadmap de discussão e orientação para que as empresas se engajem nesse movimento”.

Ao falar dos três pilares (as letras) Moreira disse que as discussões até agora feitas pela Abralog conferem à governança um papel de destaquie. “Ela está no início de tudo; aliás, os três pilares precisam de governança”.

Santiago Gomez de la Torre, CCO do Airglades Airport, afirmou que a adoção dos critérios ESG se torna cada vez mais essencial para o sucesso das empresas de logística e cadeia de suprimentos. Mas, observou que a motivação para as práticas de ESG muitas vezes não vem da alta direção, mas sim da necessidade de certificações ou pressões públicas.

Para ele, o ESG deveria ser a espinha dorsal da empresa, integrando-se desde a liderança até o chão de fábrica. Fazer do ESG responsabilidade de apenas uma área é, segundo ele, uma abordagem equivocada.

“A integração dos princípios ESG nas estratégias de negócios não só é benéfica para o meio ambiente e a sociedade, mas também aumenta a lucratividade e a resiliência a longo prazo. ESG é o novo paradigma para a indústria de logística e cadeia de suprimentos.

O bem-estar dos funcionários para ele é um ponto-chave. Destacou salários justos, condições de trabalho seguras e oportunidades de desenvolvimento profissional. Além disso, sugeriu que as empresas se engajem com suas comunidades, apoiando causas sociais e garantindo que suas operações não impactem negativamente essa população.

“É preciso manter manter altos padrões éticos, incluindo transparência, responsabilidade e integridade em todas as operações de negócios”. Para reduzir a pegada de carbono, ele defende, inclusive, substituição de aeronaves por caminhões ou outras alternativas ecológicas, sempre que possível

Leonardo Araki, CEO da Invent: “Vamos contribuir trazendo tema relevante de ESG com presença de inovação e tecnologia da automação,  case que estamos implantando no Brasil e queremos também para os Estados Unidos.

Samuel Baccin, VP de Parcerias e Alianças Latam da Blue Yonder, destacou a importância de líderes específicos de ESG dentro das organizações. Ele enfatizou que a cadeia de suprimentos é responsável por mais de 60% das emissões globais, colocando uma grande responsabilidade sobre os provedores de soluções, como a Blue Yonder. A empresa foca em engajar fornecedores e clientes em um ecossistema de seis pilares estratégicos, incluindo planejamento, automação, transporte, armazéns e last mile. Baccin ressaltou que cada setor, como alimentos, construção, moda e eletrônicos, tem seu próprio impacto e desafios em ESG. Ele concluiu que a integração das melhores práticas de ESG é essencial, embora desafiadora, e exige liderança forte para se tornar eficaz em todos os níveis da organização.

João Paes de Almeida, Senior Director Supply Chain da Kenvue, abordou a diferença entre as práticas de ESG internas e externas nas empresas. Ele destacou que, embora a consistência seja desejável, a realidade mostra que as empresas muitas vezes priorizam ações internas e comunicam seletivamente suas iniciativas externas. Ele dividiu ESG em seis quadrantes, considerando o ambiental, a sustentabilidade e a governança, tanto internamente quanto externamente. Almeida enfatizou que cada uma dessas áreas requer diferentes profissionais e abordagens, destacando que a governança é o aspecto mais complexo e multifacetado do ESG, merecendo maior atenção e técnica para ser plenamente eficaz.

Bruna Pizzutti Megna, Government Affairs Advisorda FedEx, compartilhou que o ESG está mais estruturado nos Estados Unidos em comparação com o Brasil. Nos EUA e na Ásia, as práticas de ESG são mais definidas e focadas, enquanto no Brasil ainda estão em fase inicial de desenvolvimento. Bruna mencionou a importância dos eventos internacionais como o G20, o B20 e a COP30, que acontecerão no Brasil, para alavancar as discussões e práticas de ESG no país. Ela reforçou que essas conferências são oportunidades para o Brasil avançar na implementação de políticas de ESG.

Elvis Camilo, Head of BPO Logistics Operations Brazil do Gi Group, observou que, no Brasil, muitas grandes empresas de logística ainda não possuem setores específicos de ESG, deixando essa responsabilidade para departamentos como jurídico ou RH. Camilo destacou que a Gi Group possui uma política de ESG e busca incentivar seus clientes a adotarem práticas semelhantes. Ele reconheceu que, embora as iniciativas de ESG estejam ainda em estágio inicial no Brasil, é necessário avançar significativamente para estabelecer políticas robustas e eficazes.

A reunião mostrou um panorama contrastante entre o Brasil e os Estados Unidos no que diz respeito à implementação e evolução das práticas de ESG. Enquanto os EUA demonstram uma estrutura mais consolidada e focada, o Brasil ainda está nos estágios iniciais, buscando definir e implementar essas práticas.

Augusto Ghiraldello, Vice-presidente Executivo da Invent: “Nossa posição, do lado da tecnologia, é auxiliar. Fazer com que tudo possa acontecer por meio da aplicação de automação e tecnologia, por si só.

Fotos: Divulgação

Abralog faz bem para sua logística.

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