Greve dos Correios afeta vendas on-line. Veja opções de transportadoras

A greve dos Correios tem gerado apreensão entre pequenos empresários que encontraram no comércio eletrônico uma forma de manter as vendas durante a pandemia. É o caso da empreendedora Anna Luiza Guimarães, de 36 anos, que tem uma livraria infantil em Petrópolis e desde o início do isolamento social passou a atuar de forma exclusivamente digital.

Como os Correios possuem uma modalidade de postagem mais barata para livros, ela conta que o uso de uma transportadora privada neste momento inviabilizaria o negócio.

— Um livro que eu enviaria pelos Correios por R$ 6, em uma transportadora teria frete de quase R$ 25. Consegui aumentar as minhas vendas durante a pandemia porque ofereci frete grátis para compras acima de R$ 100, mas com o custo de uma transportadora ficaria inviável — conta Anna, que tem procurado os clientes para encontrar soluções que atendam aos dois lados.

A empresária disse ter sido informada por um funcionário dos Correios que uma entrega que levava normalmente 8 dias úteis pode demorar até 20 dias com a greve.

— Entrei em contato com todos os clientes para quem enviei produtos na última sexta-feira e avisei que o prazo de entrega pode aumentar. E no caso dos envios que eu faria esta semana, estou dando a opção de manter, pagar uma transportadora com frete mais caro ou cancelar a compra. Tem que ter diálogo com os clientes, e mostrar que o que está acontecendo não é culpa de ninguém — avalia.

Presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), Maurício Salvador afirma que 90% das lojas virtuais existentes no País atualmente são de micro e pequenos empresários. A participação desses empreendedores é ainda maior quando consideradas as vendas informais feitas por meio de redes sociais, como é o caso de Anna Luiza, que vende os livros pelo Instagram e WhatsApp.

— Mais de 70% dos micro e pequenos empresários do e-commerce ainda dependem dos Correios, por isso são os mais afetados pela interrupção das atividades. Mas esse número já foi maior, chegava a 90% há alguns anos. Temos percebido que a greve dos Correios acontece sempre mais ou menos nesse período de agosto e setembro, quase todo ano tem, e com isso as próprias empresas vêm reduzindo a dependência dos Correios, e buscado as transportadoras privadas como alternativa — explica Salvador.

De acordo com a plataforma de e-commerce Loja Integrada, cerca de 86% dos lojistas cadastrados utilizam os Correios como o principal serviço de entrega, enquanto 28% utilizam serviços de transportadoras e 24% o trabalho de motoboys.

Para Nátali Soares, de 25 anos, dona de um e-commerce de roupas há sete, a pandemia e a greve dos Correios intensificaram a necessidade de um serviço de entregas mais eficiente e menos custoso aos compradores.

— Alguns clientes nos mandaram mensagem preocupados com as entregas já em trânsito pelos Correios, mas sinalizamos que elas poderão sofrer atraso e vamos acompanhar com cautela. Também estamos contratando o serviço de uma transportadora privada em que o frete vai ser mais barato e a entrega mais rápida para driblar possíveis problemas e oferecer uma alternativa aos clientes.

No entanto, para José Roberto Lyra, coordenador do comitê de comércio eletrônico da Associação Brasileira de Logística (Abralog), a opção por outras transportadoras é limitada aos grandes centros urbanos, onde surgem a cada dia novas empresas de entregas.

No interior, consumidores e pequenos empresários continuam dependentes dos serviços dos Correios.

— A capilaridade dos Correios ninguém discute, eles chegam nas pontas, lugares onde outras transportadoras não chegam. Nas grandes capitais tem muito mais oferta de provedores, mas nas cidades menores os Correios ainda são a melhor opção, até mesmo para efeitos de rastreamento. Nesses locais acaba sendo necessário contratar uma empresa que irá terceirizar um trecho da entrega, e quando mais parceiros você tem, maior a dificuldade de integração.

Segundo levantamento dos Correios realizado na manhã desta quarta-feira, cerca de 83% dos 99 mil empregados prosseguem trabalhando regularmente, e os serviços não estão sendo afetados pela paralisação parcial dos funcionários. A federação que representa a categoria, por outro lado, informou que a adesão é de 70% entre os trabalhadores.

“A rede de atendimento dos Correios está aberta em todo o País e os serviços, inclusive Sedex e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios. A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas”, informa a nota dos Correios.

Transportadoras

Loggi

Trata-se de um aplicativo que localiza o motoboy mais próximo para fazer a entrega. Também oferece o serviço de motoboy para escritórios, delivery para restaurantes e entrega para e-commerce.

As entregas são calculadas através da soma dos pontos de coleta, quilômetros rodados, pontos de entrega e adicional de espera. A tarifa mínima é cobrada se a soma dos pontos mais a quilometragem não atingir essa quantia. No Rio, a tarifa mínima é de R$ 14,90. A única opção de pagamento para Pessoa Física é com cartão de crédito. Empresas também podem utilizar boleto. Mais em www.loggi.com.

Fedex

Oferece serviços de entrega internacionais e domésticos, sendo rodoviários ou aéreos. Por meio do site www.fedex.com o cliente pode fazer simulações de preços e tempo de entrega das encomendas. Atende a pessoas físicas e jurídicas.

Mandaê

Oferece serviços voltados para e-commerces. O faturamento mínimo, ou seja, o valor mínimo gasto com frete mensalmente, deve ser de R$ 7 mil. A taxa de serviço por coleta é cobrada de acordo com a quantidade de remessas. Mais informações em www.mandae.com.br.

B2Log

Também oferece serviços de logística para e-commerces, com opção de entrega no mesmo dia. Nesse caso, as entregas acontecem pela manhã (entre 6h e 9h) e à tarde (entre 12h e 14h). Após a coleta, o veículo segue para os centros de distribuição, de onde partem em patinetes e bicicletas, carros ou motos até o destinatário, finalizando as entregas até às 20h. Consumidor e empresa acompanham a o status da entrega, e a empresa dá baixa no pedido em tempo real com protocolo digital. O empresário pode solicitar uma proposta no site b2log.com.

IS Entrega

Faz coletas e entregas de empresas para lojas, pontos, escritórios, filiais e clientes, com frotas espalhadas por todo o País. Não atende a pessoas físicas. Mais em www.isentrega.com.br.

Uello

É uma startup de entregas urbanas para clientes de qualquer tamanho, com uma rede de entregadores e pontos de consolidação sincronizados. Oferece rastreio em tempo real, com notificações por e-mail, SMS e Whatsapp. Para ser um cliente, é preciso se cadastrar em www.uello.com.br.

JadLog

Realiza coletas e entregas porta a porta em todo o território nacional, com serviços customizados. Possui uma frota de mais de 2.700 carros, caminhões e carretas, com 500 franquias no País. No site da empresa (www.jadlog.com.br) é possível fazer simulações do custo do frete. Por Stephanie Tondo e Carolina Nalin, O Globo – Foto: Agência O Globo



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