Hub and spokes e escritórios de convivência: os novos modelos de trabalho pós-pandemia

Empresas tiveram que se adaptar às mudanças que o isolamento social trouxe para o formato de trabalho que, por muito tempo, foi predominantemente presencial

A pandemia trouxe mudanças radicais para o jeito de se trabalhar. Novos modelos como Hub and Spokes e o conceito de Workplace of the Future vieram com força como alternativas para o trabalho presencial em escritórios fixos, e as empresas sentiram a necessidade de se adaptar à essa nova realidade pós-pandêmica.

Escritórios praticamente desertos, funcionários trabalhando de forma remota e nenhuma perspectiva para a retomada do trabalho presencial: essa foi a realidade durante quase dois anos de pandemia. Com o avanço da vacinação no país e, consequentemente, a volta de um cenário de maior normalidade, foi chegando a hora de limpar as teias de aranha dos escritórios e abrir as portas para os colaboradores novamente. Ou não?

O formato remoto, que virou o modelo de trabalho mais comum durante esses anos, surpreendeu tanto os trabalhadores quanto as empresas. Apesar de dividir opiniões, uma pesquisa sobre home office, realizada em março de 2021 pela Fundação Dom Cabral, em parceria com a Grant Thornton e a Em Lyon Business School, trouxe que mais de 58% dos respondentes se consideram mais produtivos, ou significativamente mais produtivos, trabalhando em casa.

A produtividade inesperada do trabalho remoto fez com que as empresas repensassem o formato do ambiente corporativo e refletissem sobre a importância da flexibilização do modelo mais comum antes da pandemia, o trabalho 100% presencial.

Hub and Spokes: a descentralização do escritório fixo

Um dos modelos que, apesar de já existir antes da pandemia, está se popularizando no espaço de trabalho pós-pandêmico, é o Hub and Spokes. A ideia é ter um hub, ou seja, um ponto central, e outros escritórios satélites em diferentes localizações, os spokes, para que os funcionários possam escolher qual faz mais sentido para eles. Isso aliado à opção de trabalhar remotamente.

Antes da pandemia, o T2I Group, um grupo de empresas de tecnologia e inovação de Curitiba, já era adepto ao modelo híbrido, mas contava com amplo endereço fixo para quem quisesse trabalhar presencialmente. Porém, com o passar do tempo em isolamento social e home office, esse ambiente corporativo fixo passou a perder o propósito. Assim, decidiram pela criação de um hub, o qual nomearam de “Córtex”, lugar onde as principais decisões seriam tomadas, e outros pontos estratégicos posicionados em áreas onde os negócios do grupo são efetivamente realizados.

Cid Vianna, diretor de Novos Negócios e Alianças do T2I, explica como foi o processo dessa decisão que afeta todos os colaboradores. “O escritório fixo funcionou por muito tempo e, durante a pandemia, a ideia principal era reformar nosso espaço e retomar as atividades presenciais com algumas modificações, decorrentes da pandemia, mas manter aquela ideia de ambiente corporativo robusto. Porém, percebemos que isso não era mais compatível com o que precisávamos. A descentralização do escritório e a abertura de um hub mantém a identidade corporativa que os funcionários precisam, mas com o auxílio dos spokes, que aumentaram nossa abrangência e flexibilidade na prestação de serviços.”

Workplace of the Future: a importância da convivência e networking

Um conceito que também cresceu no cenário pós-pandêmico foi o de Workplace of the Future, que passa a entender o escritório como um espaço de convivência, colaboração e networking, ao invés de ser estritamente operacional e de produção. Combinado ao modelo de trabalho remoto, passou-se a ver o ambiente corporativo como um espaço mais flexível.

A Maplink, empresa de tecnologia especializada em geolocalização, já possuía diversos escritórios antes da pandemia, com operações em território nacional e, também, na Argentina, Chile e México. Porém, o modelo para todos estes pontos era presencial. Com a vinda da pandemia, o home office passou a ser explorado e contratações de colaboradores de fora de São Paulo (cidade sede da empresa) se tornaram comuns, hoje representando 35% do quadro de profissionais que compõem o time. Os endereços fixos também passaram a ser organizados de maneira diferente, com uma nova dinâmica.

Frederico Hohagen, CEO da Maplink, conta que contar espaços físicos da empresa ainda é importante, porém, os escritórios estão sendo adaptados para que não precisem, necessariamente, comportar todos os colaboradores de forma simultânea. “O uso do espaço físico mudou, passando a comportar menos pessoas e sendo, realmente, um ambiente para convivência, no qual os colaboradores podem ir quando quiserem, com maior espontaneidade nas interações. E agora, a preocupação em promover encontros entre os nossos funcionários e criar essa dinâmica diferente é uma realidade necessária para mantermos o espírito corporativo vivo entre a equipe.”

Tanto o modelo Hub and Spoke quanto o conceito de Workplace of the Future são reflexos do período de adaptação que as empresas estão passando para se adequar às tendências do novo mercado de trabalho. Os funcionários perceberam que conseguem manter a produtividade ou, até mesmo, aumentá-la estando em casa, e, consequentemente, as empresas entenderam que não há mais a necessidade do trabalho ser presencial todos os dias. Seguindo essa linha, o escritório fixo passou a perder o propósito, assim, flexibilizando a ida dos colaboradores ao trabalho – o que antes era uma obrigação – e transformando o espaço corporativo em um ambiente mais colaborativo e espontâneo.

Crédito da imagem: Divulgação



Deixe uma resposta