Intermodal deixa reflexão sobre valor da atitude e também da colaboração

A Intermodal Xperience terminou nesta quinta-feira, 8.10.2020, após três dias de conteúdo, com 30 palestras, 37 palestrantes e 30 horas no ar. Foi o primeiro grande evento virtual sobre logística no Brasil, e o público que assistiu ao encontro, mais de 4.200 pessoas, comprova isso. A Xperience apresentou a XXIII Conferência Nacional de Logística, da Associação Brasileira de Logística, a Abralog, que tradicionalmente realiza a Conferência durante a Intermodal South America, que não ocorreu em março deste ano, por causa da Covid-19.

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O diretor do evento, Hermano Pinto Junior, disse que o novo formato demonstrou ser uma ferramenta inovadora e eficiente, pois ofereceu ao público da Intermodal conteúdos exclusivo e de qualidade. “Isso mantém a comunidade conectada e informada sobre as tendências e os assuntos que estão em pauta no setor. A plataforma também cumpriu o papel de incentivar um networking assertivo, e promover a oportunidade de geração de negócios. Sem dúvida, a versão online será uma novidade permanente neste novo momento que estamos vivendo dos eventos B2B”, garantiu.

Já o presidente da Abralog, Pedro Moreira, depois de se referir ao porte da grande conferência virtual, afirmou: “em meio à pandemia, a Intermodal Xperience deixa reflexão sobre o valor da atitude e o da colaboração logística”.

As palestras do terceiro dia – “A expansão do last mile no iFood” foi a primeira palestra do último dia. Quem apresentou foi Roberto Gandolfo, Vice-presidente de Logística da empresa, que durante a pandemia precisou investir R$ 180 milhões para auxiliar restaurantes em dificuldade, e R$ 33 milhões em ações para entregadores. A escalada do iFood é impressionante: de 12 mil pedidos por mês, em 2011, bateu nos 39 milhões na pandemia. No início, era só pizza, hoje vai do café da manhã ao almoço, janta e compras em supermercados.

“A multimodalidade na Visão dos diferentes modais”, por André Sousa Ramos, Gerente de Regulação de Transporte Rodoviário e Multimodal de Carga da Agência Nacional de Transportes Terrestes (ANTT), foi a segunda palestra. Souza Ramos apresentou comparação entre as matrizes de transporte no Brasil, Japão, Estados Unidos, União Européia, China, Austrália e Canadá. No Brasil, 61% da carga é transportada por rodovia, enquanto na China a porcentagem é de 35% e no Canadá, apenas 19%. Falou também do nosso custo logístico, que segundo os últimos dados oficiais, de 2016, é de 12% do PIB, o que segundo ele se mantém até agora, em 2020.

Para André Souza Ramos, esse número alto tem relação direta com a concentração de transporte de carga no modal rodoviário. Isso significa baixa eficiência, e por causa dela, estamos na 85ª posição no ranking mundial de infraestrutura, enquanto na América Latina estamos na nada elogiável 8ª colocação.

Ele listou as vantagens da multimodalidade: ganho de eficiência logística, redução de consumo energético, redução da poluição, vantagem competitiva, melhor utilização da capacidade disponível de nossa matriz de transporte, e aumento da segurança rodoviária. A multimodalidade é uma das principais bandeiras da Abralog.

Ao analisar a multimodalidade, ele a considerou como se fosse uma engrenagem, em que variáveis como operação, normas, infraestrutura e investimentos estão como peças centrais – e, como bordas dessa engrenagem, estão as ações de planejar, executar, analisar e ajustar, além da presença da governança, que também fazem parte dessa estrutura.

Logística reversa gera valor – A atração seguinte da Intermodal Xperience foi a palestra “De mal necessário a fonte geradora de resultado e valor para os clientes”, tema de Alan Barsi, COO da Privalia, outlet online famoso por preços baixos e boas marcas de vestuário.

Alan Barsi mostrou que as campanhas são negociadas com as marcas, garantindo exclusividade de modelos. São campanhas de curta duração, apenas uma semana, quando então a marca parceira vai ao estoque reservado pela Privalia e faz a ela entrega dos produtos vendidos na campanha.

É um caso de sucesso, pelo modelo do negócio, mas também pela logística, principalmente a reversa, pois pode-se imaginar a quantidade de peças de roupas que são trocadas, por fatores como tamanho, cor que não era exatamente aquela, enfim, detalhes comuns quando a compra é de vestuário, sem que se possa expermentar no alto da compra. Se não der certo, a Privalia faz rapidamente o estorno do dinheiro pelo site, e põe em ação o sistema de recebimento da mercadoria em devolução. A Privalia vem registrando crescimento expressivo. Até agora, em 2020, são nada menos que 243% em relação a todo o ano de 2019, o que representa 27% do Ebita da empresa. Sucesso em que a logística tem também sua parte, já que o lead time da empresa apresenta significa queda – passou de 19,5% para 12,2%.

A atração seguinte foi “Planejamento de Demanda S&OP voltado ao Varejo”, por Diclei Remorini, Diretor-sênior de Planejamento e Abastecimento do Carrefour, área que atua numa estrutura presente em 12 Estados e no Distrito Federal, com 17 Centros de Distribuição, 2,5 mil fornecedores ativos, 72 mil ítens de sortimento ativo, 272 lojas, 100 hipermercados, 50 mercados de bairro, e 121 unidades express.

Diclei Remorin falou de partes sensíveis do planejamento, como o equilíbrio de estoques, abordou os esforços para diminuir a ruptura nas gôndolas, a necessidade de buscar metas financeiras, garantir oportunidades comerciais e melhorar e garantir a qualidade dos estoques, e, claro, de e-commerce: até o mês de setembro de 2020, ele tinha gerado 2,4 milhões de pedidos, número 60% superior ao ano passado.

Tour pelo CD e o Plano Estratégico de Logística – Quem assistiu, dificilmente vai esquecer a frenética movimentação do centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar, São Palo, que serviu de ambiente para um tour virtual, apresentado pelo VP de Logística da empresa, Leandro Bassoi. Destinado à operação de fulfillment, na qual é feito todo o serviço logístico da gestão de estoque, preparo dos pedidos, envio e entrega de mais de 6.800 vendedores no Marketplace da empresa, o complexo de Cajamar é formado por três prédios.Quem não viu, pode assistir aqui, na relação de vídeos abaixo.

Na sequência do tour a audiência continuou com Leandro Bassoi, pois era a vez da palestra “Escalabilidade logística em um ambiente de hiper crescimento abrupto“. O sucesso do Mercado Livre durante a pandemia começou a ter base preparada em 2017, quando a companhia definiu a rede logística ideal que queria construir para melhorar o nível de serviço ao cliente. Isso foi feito, com a tecnologia executada pelo próprio time de desenvolvedores. “Vínhamos aumentando da malha logística própria, que representava 5% em 2017, 20% no ano seguinte e já 43% ao final de 2019”.

Aí veio a quarentena e Bassoi contou que na primeira semana da quarentena era muito difícil imaginar algo diferente de pânico. As vendas caiam até 50% nos principais países, a pandemia só aumentava, enquanto no Brasil a busca era por ítens de primeira necessidade, como máscaras e álcool gel. O dilema estava apresentado: “Preparar-se para uma escalada da demanda, e correr o risco de custos desnecessários, ou esperar mais sinais – e deteriorar o nível de serviço, caso a demanda subisse”.

A empresa apostou no plano de logística que havia traçado e seguiu em frente. A demanda explodiu. “Escolhemos seguir o caminho da escalada, pois entendemos a logística como um investimento a longo prazo, e que pode mudar a experiência dos usuários mais para frente. A partir daí, com a estratégia já definida e as tecnologias que utilizaríamos desenvolvidas, conseguimos escalar o restante de nossa malha logística com velocidade, multiplicando em 3,5 vezes o número de vans realizando nossas entregas, aumentando o nosso head count operativo de forma agressiva (em torno de 95% a mais), e investindo em segurança para os nossos colaboradores seguirem trabalhando com tranquilidade frente à pandemia, entre outras iniciativas que nos fizeram crescer 138% no compilado de fevereiro a junho deste ano”, explicou. Em seguida explicou que o plano estratégico da logística do Mercado Livre tem dois componentes essenciais: estratégia de operação e tecnologia.
Controle operacional e de abastecimento do GPA – Marcelo Arantes, Diretor-executivo de Supply Chain e TI do Grupo Pão de Açúcar, apresentou na sequência “Gestão e Gerenciamento de CCOA: Centro de Controle Operacional de Abastecimento”, que é a gestão de toda a cadeia de distribuição da empresa, com 876 lojas. Para ele, um dos principais desafios é manter a integração e a sincronização de todos os players envolvidos nos processos, já que, normalmente, cada um está preocupado apenas com as respectivas necessidades.

“O CCOA vem para garantir que toda a cadeia está sendo respeitada, monitorada e otimizada, dando mais visibilidade às operações para que tudo aconteça de forma estruturada, agilizando assim as tomadas de decisões. Isso porque não adianta agendar uma entrega em um CD, por exemplo, se ele não tiver espaço para receber a mercadoria. Forçar uma situação como essa somente fará com que a mercadoria seja armazenada de forma incorreta e em condições inadequadas. Então, a ideia desse centro de controle é gerenciar e integrar todos os nossos ativos de forma mais eficiente e sincronizada, evitando assim eventuais problemas no percurso”.

O desafio tributário – E-commerce foi um dos temas centrais do evento. José Roberto Lyra, conselheiro da Abralog e coordenador de seu Comitê de E-commerce , apresentou em companhia do Diretor de Assuntos Tributários da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), Guilherme Martins Santos, para falar sobre o projeto de Lei Complementar (PLP) 148/19 que prevê a incidência e o creditamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) nas vendas multicanais.

“A omnicanalidade já é uma realidade que está em consolidação no país, com a integração cada vez maior entre online e o offline”, disse Lyra. Ele lembrou que a aceleração nas vendas do varejo aumentou o nível de exigência do consumidor, mas evidenciou também a necessidade de ampliação dos modelos de entrega de produtos, em especial no trajeto da last mile. Entre as alternativas para otimizar a última milha estão: o ship from store, na qual é utilizado o estoque da loja física para atender os pedidos online; o click & collect, em que a retirada da compra online é realizada pelo consumidor em um ponto de coleta, e as dark stores, lojas que são fechadas ao público e são pontos de distribuição de compras online.

“O problema é que o sistema tributário não acompanhou essas opções de venda e entrega de mercadorias nas questões relacionadas ao ICMS, em especial nas operações interestaduais”, apontou Lyra. A parte tributária foi analisada por Guilherme Santos,
da Abcomm, para quem “há um evidente gargalo entre a formato que as pessoas querem se relacionar comercialmente, e como a lei prevê essas relações comerciais. Vivemos em um mundo digital em que se aplica uma lei analógica”, disse.

Ele ressalta que a Lei Complementar (PLP) 148/19, se aprovada, vai destravar as várias formas de se fazer omnichannel no Brasil. “O ponto positivo da PL é a simplicidade do texto, que traz as regras gerais aplicáveis ao ICMS em âmbito nacional”, finalizou.

“A evolução intermodalidade na solução logística das organizações”, tema de Julio Perotti, Diretor-executivo da Gollog, abordou o que é preciso ser feito para esse passo que pode transformar o Custo Brasil, em Lucro Brasil, conforme o slogan da bandeira da Abralog que prega a sintonia dos modais como solução para isso.

Par Julio Perotti, é primordial que as empresas e profissionais do setor compreendam o que é multimodalidade de fato. “O grande desafio é entender a cadeia logística como um todo e como funciona na prática, pois só assim será possível propor soluções realmente alinhadas às necessidades do mercado. Afinal, intermodalidade é muito mais do que a contratação de uma série de serviços; é a integração da cadeia logística em si. Então, antes de ofertar uma solução, é necessário prestar atenção se há as condições necessárias para cumpri-la de ponta a ponta: se há infraestrutura disponível para executá-la, se há locais suficientes para carga e descarga, se há meios de transporte, se há recursos e mais uma variedade de fatores. É preciso planejamento”.

Para finalizar, o executivo apresentou ainda algumas opções de como realizar a integração, de fato, das operações. “Uma alternativa é verticalizá-las, com controle centralizado, concentração das margens operacionais e mais eficiência fiscal. Outra opção é a terceirização, que exige menor investimento e que tem a tendência de garantir ganhos de escala. E uma terceira alternativa é a de compartilhar conhecimento, ou as chamadas joint ventures, que também podem garantir alguns ganhos mais para frente”.

Digitalização, protagonista – A digitalização foi seguramente o assunto mais enfatizado. Em todas as palestras. A pandemia empurrou o e-commerce para o topo, dando grande divulgação ao tema, mas o protagonismo de verdade está com a digitalização, como se viu na XXIII CNL e ao longo dos últimos seis meses. Para o presidente da Abralog, Pedro Moreira,

O painel final retratou isso muito bem. Ele reuniu Marcelo Arantes, Diretor-executivo de Supply Chain do Grupo Pão de Açúcar, Leandro Bassoi, Vice-presidente de Logística do Mercado Livre, João Paes de Almeida, Diretor de Supply Chain da Cargill. Eles discutiram A Transformação Digital e a Ominicalidade.

Para Bassoi, a omnicanalidade é o futuro da logística. “Não há outro caminho, as empresas que estão no mundo físico terão que começar a pensar em como migrar também para o digital, assim como as companhias integralmente digitais, que também precisarão avaliar como começar a atuar no mundo físico. Ou seja, todas elas deverão analisar como atender seus clientes através de um único canal integrado”.

Na opinião de Marcelo Arantes, o mundo físico não irá acabar, as empresas não precisam se preocupar com isso, pois é no modo presencial que você tem a capilaridade da entrega, em que cada loja pode atuar como um centro de distribuição, ou ponto de coleta de mercadorias. Isso sempre vai existir, mas como se integra isso ao digital e se potencializa os resultados com o auxílio da tecnologia, é a questão. Sem esquecer do ponto mais essencial, o consumidor: atendê-lo da forma que ele deseja e precisa é o mais importante”.

João Paes de Almeida concordou: tanto Bassoi, como Arantes, tocaram em dois pontos fundamentais – “hoje, poucas empresas e negócios podem se dar ao luxo de ficar apenas nos mundos digital ou físico. Atualmente, quem quiser sobreviver no mercado precisa encontrar formas de estar em ambos os canais de forma paralela; por outro lado, é importante entender o cliente e a necessidade dele, afinal, ele é que deve ser o protagonista disso tudo”.

Pedro Moreira, que mediou o debate, agradeceu aos ajudaram a conceber o evento, o primeiro grande momento virtual da logística brasileira, assistido por mais de 4.200 pessoas. A logística vai se beneficiar dessa nova forma de divulgar, sem dúvida. Portal Abralog, com Informativo dos Portos.

 

Veja as gravações das palestras do terceiro dia da Intermodal Experience, evento durante o qual foi realizada a XXIII Conferência Nacional de Logística da Abralog

 

Keynote Session – A expansão do last mile no IFOOD – Roberto Gandolfo, Vice Presidente de Logística do Ifood

A multimodalidade na Visão dos diferentes modais – André Sousa Ramos, Gerente de Regulação de Transporte Rodoviário e Multimodal de Carga da Agência Nacional de Transportes Terrestes – ANTT

Reversa: De um mal necessário para uma fonte geradora de resultados e valor para os clientes – Alan Barsi, COO – Operations Director da Privalia

Planejamento de Demanda S&OP voltado ao Varejo – Diclei Remorini, Diretor Sr. de Planejamento e Abastecimento do Carrefour

Tour Virtual CD – Mercado Livre

Escalabilidade logística em um ambiente de hiper crescimento Abrupto – Leandro Bassoi, VP de Operações Logísticas do Mercado Livre

Gestão e Gerenciamento de CCOA: Centro de Controle Operacional de Abastecimento – Marcelo Arantes, Diretor Executivo Supply Chain & TI Grupo Pão de Açúcar

A evolução intermodalidade na solução logística das organizações – Julio Perotti, Diretor Executivo da GOLLOG: Transporte de Cargas e Encomendas

Projeto de Lei Complementar (PLP) 148/19 da Multicanalidade: Impactos no e-commerce e logística – José Roberto Lyra, Conselheiro e Coordenador do Comitê de E-commerce da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Guilherme Santos, Diretor de Assuntos Tributários Abcomm – Associação Brasileira de Comércio Eletrônico

Painel Transformação Digital e Omnicanalidade 

 



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