Intermodal Xperience: País será 1º em infraestrutura, diz Secretário do Minfra

O Brasil quer ser líder em infraestrutura na América do Sul, disse nesta terça-feira, 6.10.2020, o Secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, ao fazer palestra na Intermodal Xperience, evento virtual que vai até 8 de outubro. Na sessão inaugural do evento, Sampaio reafirmou a crença, partilhada pelo setor logístico, de que a retomada econômica se dará pela criação da infraestrutura. 

Participaram do início da Intermodal Xperience, junto com Marcelo Sampaio, o Diretor-presidente da Anac, Juliano Noman, Rosimeire Lima de Freitas, da ANTT, Francisval Mendes, Diretor-geral da Antaq, além de Pedro Moreira, Presidente da Abralog, e curador da XXIII CNL, e Hermano Pinto, Diretor da Intermodal South America, anfitrião do evento.

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Criada pelos organizadores da Intermodal South America, a maior feira de transporte, logística e comércio exterior da América Latina, a Xperience abriga a XXIII CNL, a conferência nacional que a Associação Brasileira de Logística realiza anualmente.

No discurso de abertura do evento, Pedro Moreira lembrou os momentos difíceis provocados pela Covid.
“Neste momento em que abrimos oficialmente a Intermodal Xperience, a primeira vez que um evento desse porte é feito em modo virtual, temos oito meses de vivência e experiência no que podemos classificar como um dos piores, mais graves e difíceis momentos para a vida em todo o mundo”, afirmou.

Segundo Moreira, nesses oito meses a logística mudou drasticamente e hoje todos já sabem que logística daqui para a frente será muita tecnologia, com a digitalização de ações e processos, e mudanças bruscas de comportamento e consumo, por causa do isolamento e pela ascensão das entregas de forma multicanal.

Hermano Pinto, Diretor da Intermodal, lembrou que a proposta da Xperience é uma interação jamais vista entre experts, acadêmicos, autoridades públicas e empresários, por meio de uma programação construída a partir das demandas do mercado.

Juliano Nomam, da Anac, afirmou que a pandemia antecipou etapas, e por meio do que chamou “projeto de guerra”, foram tomadas decisões como liberar táxi aéreo para transporte de carga, inclusive de produtos perigosos. A sessão que deu início à Intermodal Xperience reuniu outros figurantes do governo federal: Francisval Mendes, da Antaq e Rosemeire Lima de Freitas, da ANTT.

A Cadeia do Frio – A Intralogística liderou as apresentações do Intermodal Xperience no bloco da tarde do primeiro dia de evento 100% online. A cadeia logística do frio foi o tema de um encontro que recebeu o presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Pedro Moreira; o CEO da Friozem, Fábio Fonseca e o diretor de operações da Martin Brower, Fábio Miranda.
Para Fonseca, da Friozem, referência em armazenagem, transporte e distribuição de produtos sob temperatura controlada, o País ainda apresenta um nível alto de ociosidade nos armazéns dedicados à cadeia do frio, com taxas de ocupação girando atualmente em torno de 60%. “A pandemia da Covid-19 influenciou este número em razão da desvalorização do dólar e a diminuição dos estoques internos, uma vez que o foco maior ficou na exportação. O fechamento dos food services também contribuiu”, disse. Porém, o executivo acredita que no médio e longo prazo a perspectiva é que essa ociosidade seja normalizada.

Sobre o cenário de crise gerado pela pandemia, Miranda, da Martin Brower, empresa de distribuição e gestão do supply chain para redes de restaurantes, disse que a alternativa pelo delivery dos restaurantes que foram fechados de forma abrupta não foram suficiente para suprir o vácuo deixado. “O que nos permitiu passar pelo pior da crise foi a flexibilidade que negociamos com clientes e parceiros”, afirmou. Para ele, a retomada para 2021 ainda está suscetível a vacina da Covid-19.

Um ponto comum que foi abordado no debate virtual foi a necessidade de uma regulação padronizada das operações do segmento. “Não há uma legislação específica do SIF (Serviço de Inspeção Federal), por exemplo, para armazéns frigoríficos”, pontua Fonseca. Já o diretor de operações da Martin Brower citou a necessidade de uma legislação específica para operadores logísticos.

Neste sentido, o presidente da Abralog disse que a entidade criou um novo núcleo de discussão, o Comitê da Cadeia do Frio, que busca justamente tratar essas vertentes da regulação necessária e também os processos e tecnologias do segmento.

Compartilhamento de Cargas é tendência que deve crescer – Em outro momento do primeiro dia do Intermodal Xperience, a discussão voltou-se para a otimização de recursos para evitar que caminhões transitem com baixa ocupação de cargas, já que a iniciativa de compartilhamento de entregas entre diferentes empresas têm ganhado força. O Diretor de operações do Grupo EBD – distribuidor de alimentos, bebidas e produtos de higiene pessoal -, Adriano Maeda, apresentou os resultados do projeto “Central de Compartilhamento de Cargas (CCC)”, realizado em parceria com a operadora logística Link Logistics.

Na prática, Maeda explica que o projeto CCC funciona da seguinte forma: os pedidos (notas digitais eletrônicas) das empresas distribuidoras que fazem parte do projeto CCC são enviados para um software de gestão de transporte de cargas e a Link Logistics faz todo o fluxo de coleta das mercadorias em cada empresa, consolidação e a entrega da carga.

“Conseguimos quebrar um paradigma ao criar um ambiente de colaboração entre empresas distribuidoras concorrentes. O que resultou na redução de custos logísticos ao realizar entregas em menos tempo e com mais frequência nos clientes”, afirma Maeda, que acrescenta ainda: “e por fim, o que consolida todo o projeto CCC é o aumento no faturamento local em 15%”.

Depois de três anos de execução, o diretor de operações do Grupo EBD explica que os próximos passos para o projeto CCC são focados em duas frentes: a experiência do cliente (customer experience) e as inovações tecnológicas da logística 4.0. “No sentido de melhorar o nível de serviço para o cliente a ideia é passar a entregar 100% dos pedidos no estado do Ceará em até 24 horas, e em clientes-chave em até oito horas, e ter uma disponibilidade de estoque com zero ruptura. Também estamos analisando formas alternativas de entrega com pontos de coleta e outros meios de transporte como motocicletas, bicicletas e – futuramente – drones”, revela Maeda.

Eficiência Energética – As questões ligadas à eficiência energética em indústrias, centros de distribuição e galpões podem impactar significativamente a receita das empresas ligadas à operação logística. Um estudo da gestora de energia Comerc Esco apontou que a indústria tem potencial de economizar cerca de R$ 4 bilhões por ano em energia elétrica apenas com a adoção de soluções de eficiência energética.

O executivo Luis Guilherme Pires, Diretor Comercial do Grupo Luminae Energia, que é referência em eficiência energética na América Latina, explicou que os três pilares de eficiência energética são baseados: na redução da potência, com a substituição por iluminação LED que pode gerar até 80% de economia; fontes alternativas de geração; e por último a gestão da energia.

Pires ilustrou a apresentação com um exemplo do Grupo. “Contamos com soluções que utilizam o LED mais eficiente do mundo, o que garante uma alta performance em iluminação. E também o monitoramento em tempo real do consumo de energia com gráficos e relatórios que possibilitam a gestão total da energia, além de alertas de anomalias que evitam o desperdício”, afirmou.

Análises Tributárias x Logística – A relação entre logística e o sistema tributário nacional também foi um dos destaques do primeiro dia de Intermodal Xperience. Quem abordou o assunto foi o sócio da Dessimoni & Blanco Advogados e vice-presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Alessandro Dessimoni.

Segundo ele, este é um tema sempre atual e relevante, já que o sistema tributário brasileiro é bastante complexo. “Se fizermos um breve retrocesso e avaliarmos cerca de vinte anos atrás, veremos que o Brasil tinha uma carga tributária por volta de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e hoje essa mesma carga tributária gira em torno de 35% do PIB. Isso tem uma explicação ligada à legislação fiscal: são todas as alterações e reformas que foram acontecendo, principalmente em nível federal, ao longo dos últimos anos. Com isso, hoje vivemos uma realidade que apresenta um número enorme de tributos: são mais de 80 no Brasil. Somente o ICMS tem mais de 45 alíquotas. E tudo isso impacta diretamente as estruturas das empresas, principalmente as que operam em mais de um estado do País”, afirmou.

Dessimoni vai ainda mais fundo na questão e exemplifica. “Uma das mudanças que ocorreram na legislação, no começo da década de 2000, por exemplo – que foi a não cumulatividade do PIS e do COFINS – sofreu uma série de alterações desde então e hoje em dia as empresas de serviços (logísticos, de transporte, armazéns gerais, entre outros) sofrem com uma grande restrição de crédito, causando um aumento de carga tributária também na ponta de todo o processo”.

Por essas e outras razões que o advogado considera fundamental que as empresas do setor criem o hábito de fazer análises e planejamentos tributários sobre suas respectivas malhas logísticas. “Esse é o cenário em que vivemos e para a construção desse planejamento fiscal é muito importante que as companhias consigam criar um linha base de suas respectivas cadeias produtivas, perguntando-se onde estão os principais fornecedores, onde são compradas as matérias-primas, se há centros de distribuição suficientes, onde eles estão localizados e etc., para que assim se entenda qual é carga tributária, de fato, sobre as respectivas cadeias e se possa então traçar estratégias mais assertivas com relação a isso”, finalizou.

Inteligência artificial – A Intermodal Xperience é a única plataforma do mercado que reúne em um mesmo ambiente conteúdo, negócios e networking, os três pilares que fazem dos eventos físicos o mais eficiente meio de geração de oportunidades.Ela é baseada em uma inteligência artificial, batizada de Blue, que 365 dias por ano, vai analisar e compreender os interesses, potencial de compras e comportamentos de consumo de todos os mercados atendimentos pela Informa, para, a partir daí, transformar essas informações em sugestões de conteúdo e produtos, orientações sobre inovações e lançamentos, e até aproximar pessoas que podem se conectar dentro da plataforma.

 

Veja as gravações das palestras do primeiro dia da Intermodal Experience, evento durante o qual foi realizada a XXIII Conferência Nacional de Logística da Abralog

Abertura Oficial – Logística em Movimento – Transporte de Cargas e Passageiros

Keynote Session – HUAWEI, 5g Smart Campus Warehouse, Tiago Fontes, Huawei

O Ecossistema de E-commerce – Gustavo, FEDEX

Revolução Digital e a Colaboração Alavancando o Supply Chain e a Distribuição Urbana, Guilherme Portescheller, Souza Cruz

Tour Virtual CD – SCANIA, Adolpho Bastos, Logística Scania

Aplicação de Embalagens Retornáveis no Transporte de Motocicletas, Eurydes Siqueira, Yamalog

Otimização e Digitalização em Strategic Sourcing, André Almeida Prado, BBM Logística

Smart Logistic Center: Logística aliada à Inteligência Artificial, Carlos Andrade, Latam na Bayer

Central de Compartilhamento de Cargas, Adriano Maeda, Diretor de Operações do EBD Group

Cold Supply Chain, Fábio Fonseca, CEO Friozem e Fábio Miranda, Diretor de Operações da Martin Brower

Redução de custos operacionais através de uma Gestão Energética Eficiente, Luis Guilherme Pires, Diretor Comercial do Grupo Luminae

Análise Tributária na Modelagem de Malhas Logísticas, Alessandro Dessimoni, Sócio Advogado da DBA Advogados



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