NTU debate o futuro do transporte público

Ônibus elétrico e com sistema de recuperação de energia, aplicativos para gestão de frotas e de passageiros, reconhecimento facial e tarifa georeferenciada estão entre as inovações do setor do transporte apresentadas no 33º Seminário NTU (Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano) 2019, que aconteceu na última semana,  no Hotel Royal Tulip Brasília Alvorada, em Brasília (DF).

Com o tema Inovação e Reinvenção – O futuro do transporte público sobre a perspectiva da sociedade, o evento discute os rumos da mobilidade urbana em plena transformação tecnológica que o mundo vive – com novas soluções disruptivas criadas diariamente, derivada da nova economia digital, baseada em algoritmos, internet das coisas, sistemas autônomos e big data. O setor do transporte tem o desafio de conviver em sintonia com os aplicativos de transporte, sem perder de vista a qualidade do serviço prestado.

Durante a abertura do Seminário o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, destaco NTU u que o setor de transporte público vive uma crise que já perdura há alguns anos e que aponta para duas direções. Segundo ele, os ônibus urbanos deixaram de levar, em média, ao menos 420 mil passageiros a cada dia, na soma do total de pessoas transportadas em nove capitais, sendo que em todo o mês de abril de 2019, foram transportados 280,9 milhões de usuários, contra 293,4 milhões no mesmo mês de 2018. O menor número da série histórica, iniciada em 1994, foi em 2017: 270 milhões de viagens.“Uma solução é trabalhar na qualidade da prestação do serviço, melhoria da infraestrutura, o barateamento das tarifas e o desenvolvimento social. E uma segunda direção é buscar a inovação. Por isso, estamos buscando ideias, projetos e soluções inovadoras com foco no bem-estar das pessoas”.

Cunha também destacou que é preciso reinventar o setor. “Precisamos reinventar o transporte público, rediscutir legislações e algumas regras que possam flexibilizar a oferta de novos serviços. Não existe solução para o transporte urbano sem o transporte coletivo. Com o seminário, realizaremos uma discussão ampla para que possamos reinventar a maneira de operar esse serviço”.

Para o presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Vander Costa, o momento é de suma importância para discutir novas tecnologias e o transporte público. “Os aplicativos estão se expandindo, temos observado que existe um privilégio em relação ao transporte individual em detrimento ao transporte coletivo. Precisamos encontrar um equilíbrio”. Para ele, há um ambiente propício à mudança. “Vivemos um cenário que nos dá oportunidade de reescrever a legislação brasileira. Precisamos de crescimento econômico em parceria com a sociedade. Esperamos que, com o seminário, possamos levar propostas para os nossos agentes políticos, para que tragam melhorias para todos os setores”.

Novidades do setor

Durante o evento, também foram expostas tecnologias e novas soluções para o transporte coletivo urbano de passageiros. Conheça algumas delas:

Paga pelo que usa

Que tal pagar apenas pela extensão do trajeto e ainda ter créditos guardados em nuvens digitais? Essa é a proposta do Atlas Pay. Criado pela empresa Transdata, ele é um computador de bordo instalado nos ônibus que é acessado por aplicativo. Entre suas inovações, permite biometria facial, videomonitoramento e tarifa georreferencia. “O usuário só paga pelo trecho rodado. O que sobre do valor da passagem fica para ele, de crédito na nuvem. Para deixar o seu cartão carregado ele paga com cartão de crédito ou débito. É como se ele tivesse uma carteira virtual”. O Atlas Pay ainda integra os usuários através de hábitos e preferencias dos clientes, além de garantir ações como reservas de passagem rodoviária e programas de fidelização.

Poluição zero

Foi para reduzir o impacto ambiental do serviço que a BYD criou o chassi elétrico. Feito para ônibus urbano e rodoviário, o chassi garante uma direção silenciosa e sem nenhuma emissão de poluentes. O gerente de vendas da BYD, Clovis Kitahara, explica: “É o futuro da mobilidade. O chassi é sustentável e não emite gás carbônico. É a mobilidade limpa”. Entre as vantagens da inovação estão a questão do custo menor de manutenção, pelo fato de não utilizar filtro de óleo e não ter cambio, além de contar com dois motores elétricos nas rodas traseiras que geram em cada roda 210 cavalos a mais de potência. Para carregar o chassi são precisas de três a quatro horas.

Solução para todos os modais

Um software que serve para todos os modais e que pode gerenciar toda uma cidade. Esse é o Antares Evolution, uma ferramenta de gestão que foi desenvolvida pela empresa Dataprom, que busca aumentar a eficiência do transporte coletivo de um município, com informações em tempo real de toda a operação de transporte, trânsito, ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e de segurança. Gerenciado de um único local, por meio de um sistema integrado, o software possibilita o domínio de toda a gestão de uma cidade. O executivo da Dataprom, Sandro Maurício, destaca que o software possui uma tecnologia que se chama prioridade seletiva inteligente. “Você tem, por exemplo, um BRT que tem que chegar em um determinado horário. Se ele estiver atrasado, o sistema vai abrindo prioridade para que esse BRT possa chegar no horário, através de comando interligados que incluem sinais e toda a gestão do trânsito”. Com informações do portal CNT.



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