quinta-feira, 20/06/2024

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Pandemia e guerra mudaram visão sobre supply chain, afirma Tompkins

Convidado internacional da XXV Conferência Nacional de Logística (CNL), o consultor americano Jim Tompkins, disse, nesta quarta, 16.3.2022, segundo dia do evento, que a pandemia da Covid-19 e agora a guerra na Ucrânia consolidaram a tendência de que a cadeia de suprimentos é uma grande rede global, interdependente e cada vez mais digital.

“Quando comecei a trabalhar com supply chain, nos anos 70, a preocupação das empresas estava concentrada apenas em reduzir custos. Hoje, o ambiente mudou, pois a cadeia está inserida diretamente no cotidiano das pessoas, principalmente pela instantaneidade proporcionada pela tecnologia”, afirmou  Jim Tompkins, supply chain thought leader e CEO da Tompkins International, palestrante que encerrou o segundo dia da CNL, evento que ocorre em meio à 26ª Intermodal South America, encontro de logística, intralogística e transporte de cargas que acontece no São Paulo Expo, na capital paulista, até esta quinta (17.3.2022).

Colaboração é fundamental – Para Tompkins, essa transformação,  que chama de imperativo digital, exige que as empresas invistam em um ciclo de disrupção. “É um processo de reinvenção que todos precisam passar. O mundo está volátil, convivendo com muitas complexidades e incertezas, e não há espaço para que haja resistências para essas inovações.

Segundo ele, os acontecimentos recentes destacaram a importância do supply chain, pois revelaram o seu funcionamento e necessidade para todos os segmentos da sociedade. “No entanto, eficiência e efetividade só vão acontecer quando a empresa estiver aberta para as novas ideias trazidas pela transformação digital”, salientou.

Um dos caminhos apontados por ele é o fomento da excelência nos elos da cadeia de suprimentos. “Para isso, é fundamental ter colaboração entre os agentes, o que vai gerar uma síntese, promovendo a sincronização e harmonização do supply chain. Por fim, determinar que tudo isso funcione em tempo real, que é a realidade que o imperativo digital impõe hoje. Quando você fala de aceleração digital, você fala de colaboração. E quando você fala de aceleração digital e colaboração, você está falando de logística com excelência. É isso”, explicou Jim Tompkins.

Exporta Fácil, nova oportunidade dos Correios para exportadores e operadores logísticos

Os Correios aproveitaram a participação na XXV Conferência Nacional de Logística (CNL) para apresentar as funcionalidades do recém-lançado Correios Exporta Fácil +, uma nova oportunidade para exportadores e operadores logísticos. 
“Todo o processo é feito a partir de uma parceria com operadores logísticos credenciados. Oferecemos a simplificação do processo, com toda a classificação do produto, procedimentos aduaneiros e preparação da mercadoria, com o apoio de equipes especializadas em todo o País. Qualquer empresa que atua no setor pode entrar no site dos Correios e fazer o cadastro”, explicou Alex do Nascimento, diretor de Negócios da empresa durante palestra.

Por dia, os Correios chegam a processar cinco milhões de entregas em todo o território nacional. Para que esta operação de grande porte seja cada vez mais sustentável, a empresa está investindo em soluções que gerem um menor impacto ambiental, principalmente nas grandes cidades. 
“Estamos testando modelos elétricos, como bicicletas e pequenos veículos, para distribuição de última milha, que é a mais complexa de toda a operação. Mais de 200 veículos estão circulando em 11 regiões para testar o que é mais viável e eficiente, e esperamos anunciar os resultados em breve”, completou o executivo dos Correios.

VP da Abralog mostra como tecnologia está vencendo a burocracia

“Como a tecnologia vem acelerando a superação da ineficiência causada pela burocracia”, foi o tema do advogado Alessandro Dessimoni, Vice-presidente Jurídico da Abralog . Para ele, o termo burocracia pode ser utilizado para designar um tipo de administração racional e eficiente, ou o seu contrário. Ou, como explicou a seguir, trata-se de estrutura social na qual a direção das atividades coletivas é de responsabilidade de ilm aparelho impessoal hierarquicamente organizado.

Dessimoni considerou, entre os benefícios tecnológicos que ajudam a desburocratizar, o uso de inteligência artificial, a internet, e a velocidade de dados, por exemplo. Para ele, são ferramentas que reduzem os erros, e, também, dão agilidade ao ‘quebrar’ dezenas de procedimentos atravancados.

A tecnologia, disse Alessandre Dessimoni, foi responsável por quebra de paradigmas culturais, como o home office, os marketplaces, o comércio global e a vida nas redes sociais. Ou seja, de alguma forma, essas novas realidades ajudam a destravar o burocrático – isto é, eliminar a ‘especialização em tarefas’, as regras em excesso, a chamada ‘carreirização’ e a centralização.

A palestra do VP Jurídico da Abralog abordou as contribuições para a melhoria da eficiência logística, como o Documento de Transporte Eletrônico, o DT-e, juntamente com soluções que mudaram o perfil das áreas tributária, administrativa e financeira, como o certificado digital, a procuração eletrônica, a abertura online de empresas, e a criação de programas como Balcão Único, Poupa Tempo, e a integração de informações.

Principais riscos da burocracia – Citou o particularismo (defesa de interesses de determinados grupos de poder), satisfação de interesses pessoais (nepotismo, corrupção), Cultura do carimbo (multiplicidade de exigências, papelório, e excesso de formalização), Grupos de poder (engessamento do processo decisório, luta pelo poder e vaidades exacerbadas) e Mecanicismo (cargos limitados e superespecialização).

Empresas de logística que não se adaptarem à RDC 304 não têm futuro no segmento farmacêutico, afirma Leila Almeida

A RDC 304/2019, norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que  dispõe sobre as boas práticas de distribuição e armazenagem no transporte de medicamentos, em vigor desde 2019, é um grande avanço, na opinião de Leila Almeida, farmacêutica da Andreani Logística e Coordenadora do Comitê de Logística Farmacêutica da Associação Brasileira de Logística (Abralog). No entanto, faz um alerta: “As empresas de logística que quiserem se manter no segmento farmacêutico vão ter que se adaptar”.

Leila citou como exemplo a exigência de integrantes da cadeia de distribuição de gerarem estudos de mapeamento de temperatura e umidade para subsidiar as medidas de controle ativo ou passivo que serão aplicadas aos sistemas de transporte. “É um aspecto fundamental, principalmente pela diversidade climática. O mapeamento térmico precisa ser bem articulado e eficiente”, apontou.

Na Andreani, ela destaca que a solução foi investir em inovação e tecnologia. “A RDC impulsionou a busca por novas alternativas, fomentando a pesquisa. Quem não seguir a tendência, não vai permanecer no segmento. Instalamos sensores nos próprios veículos para fazer o mapeamento térmico, totalmente gerenciado por meio de um software. Isso oferece segurança e eficiência na operação, de acordo com a norma da Anvisa. Quando há, por exemplo, picos de temperatura, o sistema logo identifica para que sejam feitos os ajustes”, explicou.

Rondônia quer atrair novos investimentos em operações logísticas

Rondônia tem potencial para atrair novos negócios no setor de logística, oferecendo estrutura eficiente e vantagem competitiva. Este foi o mote da palestra que reuniu o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Avenilson Gomes da Trindade, e o administrador da SOPH (Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia), Marco Figueira, na Conferência Nacional de Logística (CNL).

“Nosso PIB atual é de R$ 60 bilhões, com um crescimento médio por ano de 6%, e temos o segundo melhor indicador de geração de empregos do Brasil, só superado por Santa Catarina. Temos perspectivas de crescimento e estamos atraindo novos negócios. Hoje, há quatro operadores no nosso porto público, mas temos capacidade de receber mais operações”, salientou Trindade, reforçando a localização estratégica do Estado, que permite o escoamento de cargas tanto pelo Oceano Atlântico como pelo Pacífico.

Essa vantagem competitiva também foi destacada por Marco Figueira. “O Brasil se consolidou como uma das grandes potências mundiais do agronegócio e a rota interoceânica multimodal tem alto potencial logístico por meio da hidrovia do Madeira. Nosso porto, que é alfandegado, tem um transit time de 17 dias para o Canal do Panamá e de 28 dias para complexos portuários da Ásia, prazos competitivos que reduzem custos para os operadores logísticos”, explicou.

Para o futuro, Avenilson Gomes de Andrade projeta a expansão de operações com contêineres no porto e o avanço das tratativas com o governo boliviano para viabilizar uma rota hidroviária que facilite o acesso aos portos do Peru e Chile, no Oceano Pacífico. Textos: Coletivo da Comunicação

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