Projeto de Lei da Multicanalidade e seus impactos na logística

Por Victor Sznifer Leibovicius

Com o mundo cada vez mais informatizado, é comum que as compras não sejam feitas mais em lojas físicas, ou, pelo menos, parte delas. Com smartphones acessíveis a todos, boa parte da escolha do que comprar é feita fora das lojas.

O Omnichannel, ou Multicanal, é uma abordagem que permite que varejistas conectem com fluidez seus pontos de contato com toda a jornada do consumidor. É essa abordagem que permite ao consumidor comprar um produto online e retirá-lo numa loja, ou comprar na loja e receber em casa, por exemplo.

No mundo inteiro, a abordagem vem se espalhando cada vez mais, e se prova como uma tendência crescente para o varejo. As principais modalidades de venda multicanal são:

  • Pick-up In Store: o consumidor faz a compra online e retira numa loja física;
  • Click & Collect: o consumidor faz a compra online e retira num ponto de retirada predefinido (pick-up point).

Além dos diferentes modos de entrega, outra dor bastante latente para os varejistas é a logística reversa, que se dá quando algum consumidor devolve o produto comprado. Atualmente, o que ocorre é que a varejista tem que se responsabilizar em retirar o produto de onde ele foi entregue e levá-lo de volta. Com a aprovação do PLP, se torna possível realizar uma logística reversa, de modo que o consumidor deixe o produto em um pick-up point e o veículo que for realizar uma entrega nesse mesmo ponto recolha o produto deixado, assim reduzindo tremendamente o custo da operação.

Atualmente, as empresas que atuam com a multicanalidade não conseguem aproveitar ao máximo esse modelo, por, entre outros motivos, esbarrar na legislação fiscal vigente hoje em dia, principalmente no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

No último mês de junho, foi protocolado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar 148/2019, que trata sobre a multicanalidade no Brasil, que, se aprovado, permitirá a compra e venda.

Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), o principal objetivo da PLP é evitar a reincidência de tributação de um mesmo produto ao ser transportado. A mesma ABComm produziu um estudo sobre os impactos que o PLP 148/2019 pode trazer ao setor. São alguns deles:

  • Possibilitará que mais pessoas de classes sociais mais baixas comprem pela internet. Já que muitas dessas pessoas moram em locais de risco, onde caminhões não chegam, se tornam complicadas as compras online. O PLP permitirá que as compras sejam retiradas em locais físicos credenciados.
  • Preços de frete mais baratos para o consumidor: conforme os pontos de coleta forem se espalhando pelas cidades, as rotas dos veículos de entregas serão mais otimizadas, dessa forma reduzindo o custo.
  • Aumento no consumo no curto prazo: segundo a ABComm, é esperado um aumento de cerca de 25% nas vendas do e-commerce já em 2020.
  • Incentivo à inovação e às startups: a modalidade de entrega de compras online, em estabelecimentos comerciais, abrirá espaço para o surgimento de startups relacionadas à inovação e à tecnologia logística.

Portanto, a protocolização do PLP se mostra bastante benéfica, tanto para varejistas, que terão uma redução expressiva de custos, quanto para consumidores, que pagarão um frete mais barato e terão mais comodidade na hora de fazer a compra. Você conhece o UNPOD? Os UNPOD Lockers são a solução da UnPark para otimização logística em centros urbanos a partir do conceito de multicanalidade.

Artigo desenvolvido por Victor Sznifer Leibovicius – Analista de Operações da UnPark



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