2ºdia da Intermodal reafirma relevância da digitalização

Na Unilever Brasil, a Diretoria de Supply Chain trás também no nome a expressão Transformação Digital. Fácil de intuir, portanto, a visão de que Supply Chain e Transformação Digital caminham juntas.

A palestra “Principais impactos da Transformação Digital em Supply Chain”, foi exatamente o tema que, Leonardo Rubinato, diretor dessa área na Unilever, apresentou no segundo dia da Intermodal Xperience, evento virtual iniciado na véspera, 6.10.2020, que termina amanhã, substituindo de forma digital a exposição que não pôde ser realizada em março, por causa da Covid-19.

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Rubinato colocou em quatro círculos as vertentes Processo, Cultura & Organização, Modelos de Negócio e Novos Negócios, e fez constar, ao lado de cada um deles, na mesma sequência, as expressões: “a tecnologia melhorando a eficiência operacional”, “a tecnologia redefinindo a forma de negócio, pensar, se organizar e inovar”, “a tecnologia alterando a forma como valor é entregue na cadeia”, e, “a tecnologia propiciando a entrada em novos horizontes de negócios”.

Por fim, o Diretor de Supply Chain e Transformação Digital apontou tendências para o Supply Chain, que emergem da pandemia: ele acredita em diversificação de fornecedores, descentralização da produção, colaboração em rede, sustentabilidade, e o binômio segmentação-multicanalidade.

Leonardo Rubinato costuma dizer que a digitalização está longe de ser uma jornada simples, e que vislumbra um grande obstáculo: transformar o mind set das pessoas, do modelo antigo para o modelo novo. Talvez, essa mudança possa ser conseguida pela insistência e repetição de sua necessidade – a pandemia não passou, a crise não acabou, a retomada não começou, mas uma palavra está no centro de todas as atenções: digitalização. Como tem sido até aqui nessa Intermodal Xperience. Rubinato fez a última palestra do dia.

No topo, protagonistas mudam – O segundo dia de palestras da Intermodal Experience, nesta quarta, 7.10.2020, teve como primeira apresentação “A tecnologia como agente de sucesso nas operações logísticas em um cenário de constantes mudanças”, por Juliano Maia, da Totvs.

Ele fez relato sobre a evolução da transformação digital, tendo como ponto de partida as 10 maiores empresas do mundo em 2007, e o mesmo recorte agora em 2020. Em 2007 havia Quatro eram de energia, três do setor bancário, uma montadora, um conglomerado e uma empresa de tecnologia. Hoje, o cenário é este: sete companhias digitais, uma uma energia, um conglomerado e uma empresa de saúde.

Maia, em boa parte da apresentação, ateve-se ao momento atual – o aumento exponencial do e-commerce, e o comportamento que as vendas eletrônicas estão ditando, e que o consumidor passou a gostar: comodidade 24/7, tudo em um só lugar; processo de compra simples e com informação farta; entregas rápidas e um customer service ágil.

Falou também da multicanalidade, da eliminação de intermediários na cadeia de suprimento, e de visibilidade do processo de compra. E apresentou o que chamou de “Playbook Jornada de Transformação”, parte da palestra em que recomendou: “Agora é o momento de implantar em escala, com atenção às necessidade de ajustes e melhorias; registre e analise dos dados ao longo da jornada, buscando feedbacks; identifique dificuldade e necessidades de mudança na operação, priorize; e, por último, tenha mentalidade de startup – implemente rápido, teste, ajuste, pense design thinking. Escolha um parceiro de tecnologia capaz de apoiá-lo em toda a jornada”.

Gerenciamento de risco na BRF – Na sequência, a palestra “Tecnologia em Gestão de Segurança de Frotas”, comandada por Luciano Farago, Gerente de Logística e Engenharia Logística na BRF, abordou os intensos esforços na companhia, onde plano de redução de acidentes de longo prazo levou a uma redução de 74% dos casos, entre 2011 e 2019.

O mapeamento da empresa indica que 56% episódios foram tombamentos, 39% colisões e 5% atropelamentos. Detalhe: 54% dos casos contaram com ação direta do motorista da empresa. As principais causas dos desastres: 24% velocidade, 19% distração, 16%, sono, e 9% a distancia entre veículos. Na busca pelo acidente zero, como disse Luciano Farago, “o difícil não é aceitar o modelo novo, mas sim deixar o velho”.

A logística reversa da TelefonicaO tema da TGestiona, terceira palestra do dia, braço logístico da Telefonica (Vivo), foi a operação de logística reversa que executa para a empresa-mãe, explicada por Gerardo Weiland, Diretor-geral do operador logístico.

A logística reversa, ou Refurbish, renovar, na tradução literal, renovar, no caso da TGEstiona é uma ampla ação de sustentabilidade, que tem numa mão a entrega de produtos para os clientes da Vivo, e, na outra, a coleta nas trocas de modem e demais peças do sistema de internet e telefonia.

O caminho de ida é: fábrica, armazenagem, distribuição, varejo e cliente final, enquanto o reverso é o retorno para um centro que recebe todos os equipamentos, analisa-os, e se o descarte não for efetivado, ele passa por reparos, testes, cosmética final e montagem do kit com cabos e fontes e controle de qualidade, voltando ao cliente igual a novo. “O refurbish, ou logística reversa, é uma cadeia de suprimentos ideal, que busca sustentabilidade de ponta a ponta”, afirmou.

A TGestiona está presente na região Sul e Sudeste, com 360 funcionários, com unidades em Curitiba e São José dos Pinhais (PR), Nova Santa Rita e Canoas (RS), e São Paulo, Bauru e Mauá (SP) e faturamento de R$ 78 milhões. Detentora de certificação internacional ISO 9001,

Automação como ferramenta de otimização – Uma das principais desenvolvedoras de soluções tecnológicas do País, a ModalGR levou seu sócio e fundador, Luiz Simões, e o arquiteto de sistemas e Gerente de Projetos da companhia, Leandro Duca, para falar sobre um case de sucesso da empresa, a automação de um armazém de celulose, quarta apresentação do dia.

“Desenvolvemos uma série de soluções para agilizar e otimizar as operações do armazém como um todo, o que chamamos de microserviços. Entre eles, está uma solução de planejamento de embarque em que nós conseguimos visualizar onde as cargas foram embarcadas de fato, em quais modais, em que etapas estão, entre outras informações que facilitam o dia a dia da operação, nos dando toda a visibilidade dos processos”, disse Duca.

Simões, por sua vez, explicou um pouco mais desse conceito de microserviços. “Ao construirmos todo o sistema com base em microserviços, por mais que eles atuem de maneira integrada, passamos a ter a possibilidade de gerenciar cada um deles separadamente, se for preciso. Por exemplo, se uma etapa do processo apresentar algum problema, conseguimos pará-la, se necessário, e corrigi-la, sem prejudicar todo o sistema ou operação, que segue funcionando normalmente”. complementou.

A Intralogística 4.0 – Márcio Lopes, Diretor de Soluções da Dematic, fez a quinta palestra, “Intralogística 4.0”, conceito que foi desenvolvido em parceria com a empresa de sistemas de movimentação e armazenagem, Águia Sistemas. Começou dizendo: “A premissa da intralogística conectada é simplificar a movimentação e a armazenagem de materiais de ponta a ponta, do recebimento à expedição, com a automação inteligente”, explicou.

E mais: disse que a automação inteligente, é um avanço da indústria 4.0, busca a integração do físico e do digital. Com a captação de dados do mundo físico e as análises avançadas no digital, é possível entregar informações de forma automatizada e efetiva para gerar ações no intuito de otimizar a cadeia de suprimentos.

Para o executivo, a evolução da logística de distribuição nos próximos anos, tendo em vista o crescimento das vendas online, vai promover mudanças no gerenciamento de armazéns e centros de distribuição, como a redução de estoques com o objetivo de liberar mais espaço físico para o atendimento dos pedidos realizados por canais digitais.

Outro fator que deve ganhar força é a descentralização, com o uso de lojas físicas como centros de distribuição, o que permite a unificação da operação física e a digital, reduzindo custos de entrega – em especial no last mile. Incluiu, também, as entregas realizadas com veículos autônomos. A Dematic é uma eA Dematic é especializada em soluções de tecnologia de automação, softwares e serviços para armazéns, centros de distribuição e instalações de produção, e é uma marca do Grupo KION, multinacional alemã.

O Green Supply Chain da Ambev – A “Utilização de Veículos Elétricos na Distribuição Urbana”, foi a sexta palestra, apresentada por Bernardo Adão, Sustainability & Procurement Manager da AMBEV.

“Mas por que uma cervejaria está falando de logística? Porque o nosso compromisso, primeiro, é com a comunidade em que estamos inseridos, e o nosso propósito é unir as pessoas por um mundo melhor. Pensando nisso, desde 1995 a empresa vem trabalhando forte na questão da sustentabilidade. Agora resolvemos intensificar nosso compromisso com o meio ambiente, e em 2018, lançamos, junto com nossa parceira Volkswagen, um projeto ambicioso que visa utilizar 1,6 mil caminhões elétricos em nossa frota até 2023”.

O executivo contou, inclusive, sobre o primeiro modelo em operação. “Já temos um modelo piloto  em testes há um ano, no qual avaliamos todas as características e vantagens desse tipo de veículo. Neste período, percorremos mais de 15 mil km, evitamos mais de 11 toneladas de CO², e deixamos de consumir mais de 3.300 litros de combustível. Ou seja, com esse tipo de veículo, visamos reduzir muito a emissão de CO² e a poluição sonora por parte de nossa marca, e melhorar a experiência do motorista em nossos caminhões.”

Voz na estrada e ‘leitura’ do trajeto – “Telemetria Integrada e Rotogramas Falados como Ferramentas de Redução de Custos e Gestão de Acidentes”, sétima palestra do dia, foi apresentada por Márcio Toscano, Diretor Comercial e de Marketing da Autotrac. Ele mostrou softwares capazes de reduzir custos com acidentes, pela gestão dos principais fatores que causam os desastres, que é uma das tragédias nacionais. “Hoje já se paga mais seguro de acidentes nos corredores de transporte, do que com roubo”, explicou.

Toscano abordou duas soluções tecnológicas, a Telemetria integrada, que mede e retrata todos os detalhes de uma viagem, ou seja, uma especie de caixa preta com todo o trajeto gravado, e uma segunda facilidade que são Rotogramas falados que emitem alertas falados em todas as localidades com alto índice de acidentes, por meio de “leitura” dos pontos críticos, armazenados no software.

Condomínio com  tecnologia – O Presidente da GLP, Mauro Dias, em sua apresentação “Parques logísticos como ponto de conexão de soluções e inovações que geram mais eficiência”, informou que a empresa tem 5 milhões de metros quadrados sob sob gestão no Brasil, o que lhe confere a primeira posição como desenvolvedora, mas “nosso trabalho não termina com a simples construção do galpão logístico”. A empresa, segundo Dias, se volta agora para a tecnologia aplicada à logística, de robótica a veículos autônomos.

“Utilizar as inovações em tecnologia para aumentar a eficiência da operação do nosso cliente é o objetivo”, afirmou. Segundo ele, “o setor logístico é impulsionado pela digitalização global e a expansão do e-commerce, porém, existe um gap entre o crescente nível de exigência do consumidor e a infraestrutura disponível no País, que ainda não está pronta para cumprir a demanda. E o que está preenchendo esse gap é a tecnologia”, disse.

Um exemplo é o aplicativo GLP Fast Pass, desenvolvido para a gestão da frota de caminhões na entrada e na saída dos parques logísticos. “Um ponto que chama atenção nos empreendimentos logísticos do Brasil são os grandes bolsões de vagas para o estacionamento de caminhões. Isso é uma ineficiência, porque sinaliza o tempo que os veículos permanecem na localidade”, comenta o presidente da GLP Brasil. O aplicativo agiliza a identificação dos motoristas na recepção, porque já existe um pré-cadastramento dos dados deles na ferramenta e informações sobre o fluxo esperado para o dia.

A sustentabilidade e a eficiência energética também fizeram parte da apresentação. Neste ano, contou Dias, a GLP inaugurou a maior usina solar em uma instalação logística no Brasil. O empreendimento, localizado em Louveira, Interior de São Paulo, é equipado com painéis solares no telhado, que produzem até 80% das necessidades anuais de energia da instalação. A propriedade é operada pela DHL Supply Chain, com atuação em armazenagem e distribuição e que foi parceira na iniciativa, e serve como centro de distribuição da marca Nike.

O novo marco da saúde e a logística – Nona palestra do dia, “Impactos do RDC304 na Gestão Logística Farmacêutica”, foi apresentada por Leila Almeida e Liana Montemor, do Comitê de Logística Farmacêutica da Abralog. A RDC 304/2019 dispõe trata de boas práticas de distribuição e armazenagem, além do transporte de medicamentos, e um dos requisitos desse novo marco regulatório que trará mais impacto é a manutenção de temperatura controlada nas cargas durante o transporte.

Segundo Liana, um dos pontos de atenção é o artigo 64 da RDC, que prevê o monitoramento e o controle de temperatura e a umidade dos medicamentos. “O mapeamento térmico das rotas é recurso essencial para avaliar o perfil temperatura e umidade nos trajetos de distribuição. É a partir deste conhecimento que será possível aplicar as medidas passivas ou ativas necessárias para cumprir a determinação. Haverá um período de transitoriedade e a obrigatoriedade da norma começa em março de 2022”.

Já Leila ressaltou que será um desafio para o mercado adaptar as práticas em relação à resolução – em especial na distribuição dos produtos farmacêuticos. “O transporte hoje é realizado sem nenhum monitoramento desse tipo. Será um desafio maior operacionalizar o registro de temperatura para quem trabalha com carga fracionada, por exemplo”, afirmou. Portal Abralog, com Informativo dos Portos e Intermodal Xperience.

O segundo dia

 

Veja as gravações das palestras do segundo dia da Intermodal Experience, evento durante o qual foi realizada a XXIII Conferência Nacional de Logística da Abralog

 

Keynote Session – TOTVS – A tecnologia como agente de sucesso nas operações logísticas em um cenário de constantes mudanças, Juliano Maia, Product Manager na Totvs

Tecnologia em Gestão de Segurança de Frotas – Luciano Farago, Gerente de Logística e Engenharia Logística na BRF

Operação Telefônica de Logística Reversa – Gerardo Weiland, Diretor Geral da T-Gestiona

Logística 4.0 – Case “Automação de Armazém de Celulose”, Luiz Simões e Leandro Duca, ModalGR

Intralogística 4.0 – Márcio Lopes, Diretor de Soluções na Dematic

Green Supply Chain – Utilização de Veículos Elétricos na Distribuição Urbana – Bernardo Adão, Gerente de Compras e Sustentabilidade, AMBEV

Telemetria Integrada e Rotogramas Falados como Ferramentas de Redução de Custos e Gestão de Acidentes – Márcio Toscano, Diretor Comercial e Marketing da Autotrac

Parques logísticos como ponto de conexão de soluções e inovações que geram mais eficiência – Mauro Dias, Presidente na GLP Brasil

Impactos do RDC304 na Gestão Logística Farmacêutica – Leila Almeida – Gerente de Negócios na Andreani Grupo Logístico – Liana Montemor – Gerente de Desenvolvimento Estratégico em Cold Chain no Grupo Polar

Principais impactos da Transformação Digital em Supply Chain – Leonardo Rubinato, Planning & Digital Supply Chain Director na Unilever



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