Webinar mostra que Inteligência Artificial foi diferencial da pandemia

Pedro Moreira

A Associação Brasileira de Logística, a Abralog, acredita que as tecnologias disruptivas vão continuar a ter forte protagonismo nos próximos anos, ainda como consequência da pandemia, e que os executivos de logística têm o dever de se empenhar na facilitação do uso de funcionalidades que ganharam destaque durante a crise da Covid- 19, tais como Inteligência Artificial, Machine Learning, Deep Learning e Iot,entre outras.

Essa percepção foi defendida pelo Presidente da Abralog, Pedro Moreira, durante o webinar “Rumos da cadeia logística impulsionada pela Inteligência Artificial”, realizado nesta terça-feira, 27.4.2021, evento organizado pela Revista Logweb e W6connect.

Além de Moreira, participaram do encontro Samuel Baccin, Partner Sucess Latin America Director da BlueYonder, uma associada da Abralog; Rogério Lima, Solution Advisor, também da BlueYonder; Raphael Chaves Dias, Transportation GPM-LOG.Co da Ambev; e Gutemberg Almeida, Cloud Solution Industry Executive da Microsoft.

Ao falar da pandemia como alavancadora dos processos de digitalização, Moreira lembrou que o setor de logística vinha de uma recessão de quatro anos, quando chegou a Covid-19. Nesse momento, o segmento engatava uma recuperação. Durante a crise, nestes últimos 13 meses, a logística teve papel relevante, afirmou o presidente da Abralog.

“Todos sabemos que fazer logística no Brasil nunca foi tarefa fácil. Estão aí os desafios de infraestrutura, só para ficar numa dificuldade. Na pandemia, está sendo muito pior, mas o setor e os profissionais souberam superar esses desafios. O poder de adaptação e resiliência foi incrível”, afirmou o Presidente da associação.

“Outro grande momento que pudemos verificar foi o intenso processo de colaboração que passou a se registrar não só entre empresas, mas também   entre logísticos, algo jamais visto no Brasil, onde a colaboração em logística nunca foi exercida plenamente, em parte por questões culturais e também de concorrência”, completou. Moreira disse que o “boom” da digitalização é um “legado” da Covid-19, e disse que todos os logísticos em cargos de decisão precisam se envolver pessoalmente no processo de convencimento, informação, enfim, facilitar o acesso a essas novas tecnologias.

Samuel Baccin

Como teria sido sem tecnologia? – Samuel Baccin, da Blue Yonder, que fornece soluções avançadas de alta tecnologia para o mercado de logística, moderou a participação dos demais componentes da “live”. Para ele, já se percebe no mercado brasileiro a busca por melhor rentabilidade por meio do emprego de Inteligência Artificial, Machine Learning e Deep Learning, por exemplo, como funcionalidades capazes de beneficiar a área de Transporte.

E perguntou: “Como teria sido enfrentar todos os desafios desses últimos 13 meses sem essas tecnologia? Foi um período disruptivo, com mudanças quase diárias no aumento de demanda de alguns setores, fechamento de lojas físicas, aumento expressivo do e-commerce e incremento da experiência do usuário. Falamos aí de 40% de consumo adicional de soluções de e-commerce B2B e B2C, com o consumidor cada vez mais exigente”. Da mesma forma que Pedro Moreira, da Abralog, Baccin também ressaltou a importância dos profissionais de logística. “Nunca o papel do ser humano na logística foi tão importante como agora”, registrou.

Gutemberg Almeida

“Já se falava em IA na década de 50” – Gutemberg Almeida, da Microsoft, também recorreu a uma pergunta, como Baccin: “Teríamos sobrevivido a esses 13 meses de pandemia sem Inteligência Artificial? Respondeu: sem tecnologia, se a gente sobrevivesse, teria sofrido muito mais, e a um custo imenso para fazer toda essa cadeia de logística funcionar.

“Inteligência Artificial não é um conceito novo”, disse Almeida. Desde a década de 50 já se fala nela. Mas, por que está tão na moda?” Sua resposta: porque a capacidade de armazenar dados utilizando-se de processamento em nuvem aumentou bastante, assim como aumentou muito a quantidade de técnicas ligadas à Inteligência Artificial, como Machine Learning e Deep Learning, agora acessíveis, tanto quanto a captura de dados e armazenagem.

Raphael Dias

O consumo mudando de canal – Raphael Chaves Dias, da Ambev, mostrou como a pandemia trouxe dificuldades para sua empresa. “Grandes indústrias sempre desenharam o processo para um padrão estabilizado, o que acarretou desafio para o supply chain como um todo.No início, na incerteza, todo mundo freou a produção, pois não se sabia o que iria acontecer, o comércio fechado… Isso trouxe impacto operacional muito grande: nosso consumo mudou de canal: antes, com restaurantes e bares abertos, o consumo era mais de produtos retornáveis – a pandemia gerou consumo forte em casa e aí ele passou a ser de produtos descartáveis, como latas e long necks, o que levou à falta de matéria prima. Isso gerou uma complexidade operacional muito grande, e não fosse a inteligência artificial, seria muito difícil algum resultado satisfatório”.

Segundo Raphael Dias, esses período de pandemia trouxe o ensinamento de que é preciso ser mais flexível em relação a grandes mudanças – e é também necessário ter previsibilidade maior. “Isso vai se dar por meio de coleta de dados cada vez maior, para entender a demanda em tempo real. Essa flexibilidade, essa capacidade de mudar uma cadeia de Supply Chain em velocidade, será um grande diferencial, e só com algoritmos mais complexos, como Deep Learning, vamos fazer de forma eficaz”.

Reprodução do cérebro humano – Rogério Lima, da Blue Yonder, lembrou que com a pandemia foi preciso, do ponto de vista tecnológico, deixar de atender não apenas os processos core, mas trazer também mais escalabilidade e mais inteligência para os clientes. Para isso, a Blue Yonder valeu-se de um repertório imenso (só de cientistas são mais de mil) para oferecer soluções de Inteligência Artificial e Machine Learning que pudessem suportar e resolver um elevado volume de dados.

Rogério Lima

Olhando o antes de depois da Covid-19, Lima diz: “Antes havia o pico de demanda, como fechamentos e final de mês; hoje, não: essa demanda precisa ser resolvida o tempo todo, diariamente. Sem o uso de Inteligência Artificial é impossível. O que ocorre, portanto, é a reprodução do cérebro humano, mas num patamar bem mais elevado, com escalabilidade, para as soluções de transporte, como forma reagir rápido e poder tomar decisões as mais acertadas possíveis”.



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