Webinar sobre Real Estate prevê CDs menores e mais próximos das cidades

Mauro Dias, Presidente da GLP Brasil, Décio Sonohara, Diretor-executivo de Logística no Magazine Luiza, Plinio Battesini Pereira – Vice-presidente de Operações do Setor de Consumo da DHL Supply Chain, e Ricardo Betancourt, CEO da Colliers Brasil, foram os participantes de mais um webinar da série Papo em Movimento, produção da Intermodal South America e Associação Brasileira de Logística, a Abralog.

O tema do debate, levado ao ar nesta quinta-feira, 9 de julho de 2020, foi “Perspectiva Setorial: O Mercado de Real Estate e Logística”. Moderou o webinar, Pedro Francisco Moreira, Presidente da Abralog. Papo em Movimento tem a finalidade de acompanhar a logística e o supply chain em meio à pandemia, oferecendo conteúdo de qualidade, como análises e tendências.

Como está hoje o Real Estate, para onde ele caminha e como estará no futuro imediato?

Não vai errar quem cravar que o cenário do Real Estate nos próximos anos estará firmemente ligado ao e-commerce. Não que os galpãozões classe A vão cair em desuso, mas a nova ordem é seguir o e-commerce. Esses dados citados por Mauro Dias, da GLP, dão boa mostra disso: “Em 2017, 22% da nossa área locada estava destinada ao e-commerce; hoje, em junho passado, esse total era de 53%”.
Veja a íntegra do debate.

A GLP, contou Dias, deve começar a construir mais 500 mil metros quadrados de condomínios logísticos, e esse desenvolvimento vai levar em consideração a proximidade com os principais mercados. Em São Paulo, por exemplo, onde estão 70% das ofertas de galpões, a GLP vai construir num raio de 30 km da cidade, “também para suportar as operações de e-commerce”, como ressaltou o presidente da GLP. É que para o cliente, e-commerce bom é aquele que chega rápido.

Essa é uma constatação consagrada pela prática, pois Décio Sonohara, o Diretor-executivo de Logística do Magazine Luiza, contou na ‘live’, que há dois anos a Magalu estabeleceu a meta de entregar em 48 horas, depois passou para 24 h e agora já está no chamado same day. E qual é a fórmula para isso? Galpões menores e mais próximos aos grandes centros urbanos. Ainda existem poucos deles, mas vão surgir mais. Enquanto isso não acontece, a partir de suas 1.150 lojas, que são minicentros de distribuição, a Magalu consegue colocar pedidos no mesmo dia, em casas de clientes que estejam num raio de até 10 km.

Esses galpões menores foram também citados por Plinio Battesini Pereira, Vice-presidente de Operações do Setor de Consumo da DHL Supply Chain. Em São Paulo, disse ele, mais de 30 cidades contam com pequenos CDs, criando capilaridade para alcançar o consumidor final rapidamente. “Até pouco tempo, isso era feito por grandes centros de distribuição na região de Campinas, Barueri, Guarulhos, São José dos Campos…

Ricordo Betancourt, CEO da Colliers Brasil, afirmou que existem diversos estudos a respeito da utilização de centros de distribuição menores nas regiões urbanas, como forma de atender a distribuição na last mile. E comentou já ser hora de São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores mercados do Real Estate, terem CDs com mais de um piso, o que racionalizaria o uso do solo, e, também, diluiria o custo do metros quadrado, o que, em última instância, também serviria para aumentar os negócios no setor. 

Setor que, aliás, conforme dados oferecidos na ‘live’ pelo próprio Betancourt, vai bem e vem crescendo na pandemia: no primeiro semestre deste ano houve absorção de 444 mil metros quadrados, período em que ocorreu a entrega de 390 mil metros quadrados de novos galpões. Em outras palavras: a oferta não fez com que aumentasse a vacância de áreas, o que é uma boa notícia.

De qualquer forma, esse vento a favor tem – e vai continuar tendo – muito a ver com o comércio eletrônico. Que, inclusive, vem mudando o formato dos galpões. Décio Sonohara explicou durante o debate: O e-commerce, disse ele, é o protagonista do crescimento do varejo nacional, e tem inclusive forçado alterações nos centros de distribuição, para que ele funcione como um transit point e que faça operações de cross-docking. “O formato de muitos CDs tem mudado na geografia, na largura e comprimento, já que tinham cacoete de armazenagem e não de cross-docking, de alta fluidez, com docas dos dois lados, um recebendo carga, outro expedindo”.



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