Aéreas em momento crítico. Especialistas debatem problemas e a retomada

O cenário não deixa dúvidas: com 90% da frota no chão, por conta da epidemia do coronavírus, o setor aéreo atravessa a mais profunda crise de sua história no Brasil. Para entender mais dessa situação, Intermodal South America e Abralog fizeram na quinta, 14.5.2020, o webinar Panorama e Perspectivas para o Transporte Aéreo, do qual participaram Eduardo Calderon, diretor do Centro de Controle de Operações da Gol; Diogo Elias, Manager Director da Latam; Gustavo Figueiredo, CEO do GRU Airport; Alexandre Silva, Gerente de Distribuição Doméstica e Hub da DHL; e Ricardo Silva, um dos fundadores da Line Express. Eles foram moderados por Pedro Francisco Moreira, presidente da Abralog.

O debate que travou pode ser considerado referência neste momento – e é também uma espécie de consulta básica para quem precisa ou quer entender o segmento e seus próximos passos, inclusive o que se prevê como retomada. Quem não viu, o quer rever o webinar, clique no link abaixo.

A seguir, alguns trechos da apresentação:

Diogo Elias – O setor está bastante impactado, pois mais de 90% do transporte de carga se da na barriga do avião, e a oferta de voo está pelo menos 90% menor do que era antes da crise. Hoje, para muitos locais que se voava, já não não se voa. Então, há mais carga por avião, mas muitos locais não recebem voos, o que é ruim para todo mundo. Num momento de crise, com a com a redução de custos, o modal aéreo é o primeiro impactado. Na crise tem de se achar opções. A operação podendo acontecer, então tentamos encontrar demandas, para amenizar a falta dos passageiros. Estamos usando aviões de maior capacidade, usando carga na cabine de passageiros, mas mesmo assim o panorama é ruim. O fato é que a demanda está entre 80 e 75% menor do que foi no período passado.

Gustavo Figueiredo – Sem dúvida nenhuma é um momento sem precedentes. O aeroporto de Guarulhos tem uma capacidade de carga muito grande e nós tivemos uma retração muito forte dessa capacidade. Mas, como vínhamos fazendo trabalho para crescer o número de frequências cargueiras no aeroporto, que vinha aumentando nos últimos anos, na crise esse aumento foi relevante. Investimos muito em certificações nos últimos anos e os fármacos hoje são nossa principal atividade…. No momento operamos uma malha especial para o Covid 19 e temos feito um trabalho importante de suprir todo o Brasil de equipamentos e remédios. Toda a capacidade do aeroporto está mantida, para não ter nenhum risco de abastecimento, decisão tomada em conjunto com o governo do Estado e com o governo Federal.

Nós conseguimos com o aumento da freqüência dos cargueiros ter algo em torno de 50% do volume que tínhamos no ano passado… com foco bastante grande no fármaco e nos produtos de combate à pandemia. Acredita que já estamos bastante estabilizados. Nós aprendemos e já sabemos como operar esse momento difícil, lembrando que usamos aviões de passageiros
transformados em cargueiros. A Latam é uma das empresas que estão operando nesse formato, algo bastante inovador e desafiador… Acho que conseguimos sair do outro lado, juntamos as forças e fizemos o processo acontecer… Estamos prevendo a retomada ao longo de 2 a 3 anos. Mas, pelas características do aeroporto, de, ele tem velocidade diferenciada – esperamos diminuir esse tempo… Alguns setores vão se destacar no pós-epidemia, e o e-commerce será um deles.

Eduardo Calderon – Estamos passando por um momento muito complicado, pois no Brasil o transporte de carga é muito dependente da barriga do avião, temos poucas operações cargueiras. Com a redução forte da demanda a partir de março, e uma redução muito expressiva da malha das 3 companhias aéreas, Gol, Latam e Azul, o envio e cargas pelo modal ficou sensivelmente prejudicado.
Hoje estamos em situação de demanda reprimida, apesar de ter havido aumento significativo de carga por aeronave, o que foi decorrência da diminuição de voos. Apesar de a carga ter caído bastante, não caiu como no transporte de passageiros. A carga não pega Covid, mas sobre com a restrição da demanda.

Alexandre Silva – Como usuária do segmento aéreo, a DHL opera em mais de 220 países, então temos carga chegando todo dia. Fora do Brasil temos frota própria, mas aqui utilizamos aeronaves de parceiros. Ficamos bastante preocupados, pois dentro do País não temos muitas opções de companhas aéreas… O cenário ficou difícil e igual para todos. Mas é preciso entregar, a promessa ao cliente precisa ser cumprida. A carga tem de chegar – o prometido tem de ser cumprido.

Ricardo Silva – Nossa empresa tem 90% do faturamento voltado para o setor de saúde, que é extremamente dependente do modal aéreo. Não somente para carga perecível, mas para carga seca farmacêutica, especialmente aquelas de urgência e as de altíssimo valor agregado. A redução num primeiro momento de produtos perecíveis foi de 35%; quanto à carga seca, quase metade do volume anteriormente transportado ficou represado. Vivemos 3 ou 4 semanas com cenários completamente diferentes; tivemos de nos adaptar a realidade tarifária diferente a cada semana. Difícil enfrentar esse cenário com a escassez de voo. Diante disso buscamos várias saídas, como o frete de pequenas aeronaves, e até de uma de grande porte.

Para assistir ao debate, clique aqui:



Deixe uma resposta