Segundo dia da XXII CNL aborda transformação digital na indústria e varejo

No segundo dia da XXII Conferência Nacional de Logística organizada pela Abralog, em paralelo a 25ª Intermodal, o foco das palestras e do debate final foi a transformação digital nos setores da indústria e varejo para facilitar seus processos logísticos.

Todos os especialistas alertaram: o setor empresarial deve estar atento a essas transformações para que seus índices de desempenho não sejam prejudicados, com o objetivo de entender e impactar cada vez mais os seus clientes.

João Pedro Castelo Branco, partner na McKinsey & Company, que falou sobre digitalização da cadeia de suprimentos, disse que em um futuro próximo os estoques e centros de distribuição poderão ser monitorados em tempo real com sua disponibilidade de produtos, além dos veículos autônomos já em testes no Brasil para grandes distancias nos armazéns, mais a entrega de mercadorias por drones. “Os profissionais de logística devem ficar atentos para acompanhar essa transformação digital, que já está com o consumidor final”.

Tecnologia e segurança – A Solística (uma empresa de logística da Femsa), com atuação na Colombia, México e Brasil, por meio de tecnologias de comunicação móvel de dados na melhoria da eficiência logística, está conquistando ótimos indicadores de desempenho em relação à economia de combustível, e acompanhamento da frota em tempo real evitando o roubo de cargas de seus caminhões com mercadorias avaliadas em até R$5 milhões, destacou  José Manuel Juarez,  Diretor-executivo da Solística.

A palestra teve a participação Márcio Toscano, Diretor Comercial da Autotrac, que apresentou uma plataforma adaptada às necessidades da Solística, que consegue acompanhar e até bloquear um caminhão em situação de risco, além da formação de um grande banco de dados, acompanhamento de liberação e entrada de caminhões, aviso de entregas de mercadorias, recebimento, enfim todos os passos de uma entrega de mercadoria.

Entrega de medicamento por drone – O gereente de Transporte do laboratório Sanofi,  Renato Machado, apresentou a parceria com o Grupo Elfa, distribuidor de medicamentos na Paraíba, e com o apoio da tecnologia SMX System, pela qual foi realizada a primeira entrega de medicamento via drone para um consumidorcom problemas no joelho, que estava na cidade de Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa (PB).

O executivo relatou que essa entrega teve a autorização da Anac e outros órgãos fiscalizadores, com emissão de nota fiscal, produto transportado e entregue com segurança. “Essa ação foi apenas um teste de um projeto piloto que está em análise e representantes destas três empresas estão em discussão com o governo e agências reguladoras para que esse tipo de transporte via drone possa atender também comunidades em localidades distantes, a exemplo de Paris (França) e Los Angeles (EUA), cidades que têm empresas iniciando a distribuição de medicamentos com drones em áreas urbanas, pois, em casos urgentes o custo fica menor em relação à utilização de helicópteros e aviões.

Igor Spreafico, diretor de Operações do Grupo Elfa, ressaltou que a intenção no futuro é ter um modal de entrega de medicamentos com um custo menor em relação ao rodoviário.

A logística do e-commerce – Outro destaque do segundo dia da XXII CNL foi o case apresentado pelo Mercado Livre, que está revolucionando sua logística no e-commerce da América Latina, afirmou o diretor Leandro Bassoi. Com base em análise de algoritmos, a empresa conseguiu chegar a um padrão de qualidade e entrega de suas mercadorias. A partir de estruturas próprias de logística, os marketplaces oferecem hoje aos lojistas parceiros serviços que vão desde a coleta, o armazenamento, a separação e o empacotamento até a entrega final dos produtos.

O formato também assegura a manutenção de um padrão de qualidade. E, ao centralizar esses processos, favorece a redução nos prazos para que as mercadorias cheguem até as mãos dos consumidores. “Nossa meta é entregar, em até dois dias, boa parte das nossas vendas no Brasil”, afirmou Bassoi.

Rastreando alimentos – Segundo Marcelo Lopes, diretor do Carrefour, a empresa é pioneira em rastreabilidade de alimentos, desde 2017, por meio da tecnologia Blockchain, que integra toda a cadeia de fornecedores e clientes, construindo um banco de dados que pode compartilhar as transações que ocorrem nos estabelecimentos de forma segura. Assim, é possível informar o consumidor a respeito da procedência dos alimentos, com detalhes das etapas de produção e distribuição na prateleira do varejo, a partir da leitura de QR Code afixado na embalagem do produto.

Danilo Vilar Teixeira, Gerente de Melhoria Contínua de Operações do Grupo Pão de Açúcar – Unidade de Negócio Multivarejo, destacou que a empresa tem conquistado resultados significativos na melhoria de processos, redução de custos e gestão de pessoas conquistados nos últimos dois anos, com base na filosofia Lean (focada na redução de desperdícios na super produção, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos). “Conquistamos excelentes resultados em relação à produtividade, melhoria no ambiente de trabalho, organização dos materiais, conscientização dos trabalhadores sobre a cultura de um ambiente mais seguro e produtivo. Já estamos há dois anos trabalhando para a melhoria dos nossos processos técnicos e cultural em nosso maior centro de distribuição localizado em Osasco (SP) e vamos replicar essa metodologia para todos os nossos CDs.

Magalu – Com foco no modelo Magalu, da Magazine Luiza, Ricardo Ruiz Rodrigues, Head de Projetos de Automação Logística e Diretor de Supply Chain, destacou a importância do uso de novas tecnologias, que, segundo ele, só funcionam com o alinhamento de processos, treinamento de pessoas e mapeamento das necessidades.

Ao final, debate concluiu segundo dia – A Mesa de Debates formada pelo presidente da Abralog,  Pedro Moreira, Silvio Laban, professor do Insper, Leandro Bassoi, diretor  do Mercado Livre,  Marcelo Arantes, diretor do GPA, e  Márcio Toscano, diretor Comercial da Autotrac, deixou importantes mensagens de reflexão para o público presente durante o segundo dia  da XXII CNL.

Os avanços técnicos devem acontecer em todos os setores e necessitam ter um “peso” em momentos de decisão da empresa. É um caminho sem volta! Esse foi o recado de  Ricardo Ruiz Rodrigues, Head de Projetos de Automação Logística e  Diretor de Supply Chain do Magazine Luiza . “Na busca por avanços tecnológicos, é preciso entender qual o impacto que vai gerar para seus clientes, colaboradores e fornecedores. Se o problema está em processos, é preciso adequá-los para que a entrada de uma nova tecnologia no ambiente de trabalho seja aproveitada. Funcionários precisam entender, receber treinamentos e conhecer a importância disso. A inteligência artificial jamais substituirá a ação humana, mas pode aperfeiçoar processos e livrar as gerações futuras que já nasceram no período de transformação digital.

No Brasil existe uma cultura que impede o avanço tecnológico nos setores da indústria e varejo. É necessário iniciar o compartilhamento de informações em plataforma de indicadores para entender cada vez mais o consumidor que já tem acesso a muitas informações na internet. E esses setores devem impactar e entender melhor esse comportamento da sociedade. Por isso, é importante começar a implementação de ferramentas tecnológicas que automatizem processos, que façam analise de dados para que os processos logísticos sejam mais eficientes, alertou Silvio Laban, professor do Insper

Seguindo a mesma linha, Pedro Moreira, presidente da Abralog disse que esses avanços serão inevitáveis para a melhoria dos processos logísticos no País, setor que tem com grande expectativa de avanço nos próximos anos. “No inicio de 2019, tivemos um encontro com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que recebeu dos representantes da Abralog uma pauta com sugestões de melhorias para todos os modais, trabalho que já está em análise pela equipe do ministério, que já nos deu retorno sobre próximos encontros”, contou Moreira.

Já Márcio Toscano, diretor Comercial da Autotrac, lembrou: “Não importa a quantidade de soluções tecnológicas que uma empresa tenha disponível, mas é preciso colocar em prática e entender quais delas podem ajudar seus clientes. É preciso começar esse comportamento na empresa, aos poucos, e evoluir para que os processos sejam mais eficientes”.
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