Pesquisa da CNT mostra que é crítica a situação das transportadoras no País

- 80,6% dos transportadores tiveram redução de demanda em maio

- 74,8% dos transportadores estimam impactos negativos da crise por mais de quatro meses

-  42,2% dos transportadores buscaram crédito desde o início da pandemia e, desses, 44,8% tiveram a solicitação de crédito para capital de giro negada

- 45,6% dos transportadores já adotaram a suspensão temporária do contrato de trabalho

Após três meses de pandemia da Covid-19 no Brasil, as transportadoras encontram-se em situação crítica. Só em maio, terceiro mês da crise, 80,6% das empresas de transporte apresentaram queda de demanda, sendo que quase dois terços delas (61,2%) indicaram que essa retração foi significativa. É o que revela a terceira rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte – Covid-19, divulgada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) nesta quinta-feira (18). Foram ouvidas 619 empresas de cargas e de passageiros de todos os modais de transporte entre os dias 5 e 10 de junho.

De acordo com o levantamento, 74,8% dos transportadores estimam impactos negativos da crise nos seus negócios por mais de quatro meses. Diante da queda abrupta de demanda, 63,8% dos entrevistados declararam que estão com sua capacidade de pagamento comprometida – de financiamentos, folha de pagamentos, tributos e fornecedores –, sendo que, para 34,1%, a capacidade está muito comprometida. Além disso, 27,0% informaram que conseguem operar por, no máximo, mais um mês sem apoio financeiro; e 18,3% já precisaram recorrer a empréstimos.

O presidente da CNT, Vander Costa, avalia que esses resultados atestam a continuidade dos efeitos da profunda crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Ele também chama atenção para as dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor para encontrar mecanismos efetivos a fim de reduzir os impactos negativos. “Esse cenário demonstra, de maneira prática, que as ações anunciadas pelos governos (federal, estaduais e municipais) para apoiar o setor, durante a crise da covid-19, ainda não chegaram às empresas e não representaram o socorro emergencial necessário”, diz.

Vander Costa ressalta, porém, que o sucesso das ações e das estratégias visando à retomada da economia no período pós-pandemia passam, necessariamente, pelo apoio consistente às empresas de transporte de cargas e passageiros do Brasil.

Crédito limitado

Na linha das dificuldades com as quais as empresas têm se deparado, 42,2% das entrevistadas afirmam que buscaram crédito desde o início da pandemia; e, dessas, 44,8% tiveram a solicitação de crédito para capital de giro negada.

Nesse sentido, para 49,1% dos transportadores, a principal medida a ser adotada pelo Poder Público para amenizar a atual crise seria a isenção de tributos federais durante a pandemia. Já 47,8% destacaram a necessidade da disponibilização de crédito com carência estendida e taxas de juros reduzidas, desde que as condições do financiamento sejam adequadas à realidade das empresas.

Utilização da MP n.º 936

Com dificuldades de acessar crédito, as empresas se viram obrigadas a lançar mão de medidas de ajuste nas relações de trabalho – previstas na medida provisória n.º 936. Das transportadoras entrevistadas, até maio, 45,6% já adotaram a suspensão temporária do contrato de trabalho; e 42,2% aplicaram redução proporcional de carga horária e salários. Além disso, 38,1% dos transportadores efetuaram demissões em virtude da pandemia; e a expectativa é haver novas demissões nos próximos 30 dias.

Alguns números da terceira rodada da Pesquisa de Impacto no Transporte - Covid-19

- 64,6% das empresas de transporte sofreram queda do faturamento em maio

- 34,1% das empresas de transporte estão com a capacidade de pagamento muito comprometida

- 42,2% já aplicaram redução proporcional de carga horária e salários

- 38,1% das empresas de transporte precisaram efetuar demissões


1 comentário

  • MARIA do Carmo Araújo Cerqueira

    Esta crise trouxe uma realidade muito difícil para as empresas. Infelizmente, no Brasil, os tributos são muito altos, fazendo com que as empresas (principalmente as Micro e Pequenas) operem com o caixa no limite. Além disso a burocracia é muito grande o que dificulta a chegada, na ponta, dos “benefícios ” que as medidas do governo podem trazer.

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